Em meio a investigações por fraudes bilionárias, levantamento mostra que maioria dos beneficiários não reconhece mensalidades debitadas na aposentadoria.
Menos de 2% dos aposentados e pensionistas que acessaram o sistema do INSS confirmaram ter autorizado descontos de mensalidades associativas em seus benefícios. Segundo levantamento divulgado pelo Instituto no último domingo (18), de 1,5 milhão de consultas realizadas, apenas 28 mil autorizaram as cobranças: o que representa apenas 1,8% dos casos.
O dado reforça a gravidade do esquema investigado pela Operação Sem Desconto, da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU), que revelou desvios de cerca de R$ 6 bilhões entre 2019 e 2024 por meio de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões. Segundo as investigações, entidades e sindicatos estariam recebendo mensalidades sem consentimento dos beneficiários.
INSS amplia canal de denúncia e contestação
Desde que a operação veio à tona, o INSS disponibilizou ferramentas no aplicativo “Meu INSS” e na Central 135 para que os beneficiários consultem possíveis descontos irregulares e solicitem reembolso.
De acordo com o levantamento, a maioria das pessoas, cerca de 92%, utilizou o app para fazer a checagem, somando 1,4 milhão de acessos. Os demais (7,8%) usaram a central telefônica.
A maior parte das pessoas que acessaram o sistema contestou os valores cobrados. Foram 1,5 milhão de pedidos de reembolso registrados até agora.
Além disso, os dados mostram que 41 entidades tiveram os descontos questionados pelos beneficiários.
Como funciona o reembolso
Ao identificar um desconto que não reconhece, o aposentado pode contestá-lo pelo aplicativo. A partir daí, o sistema notifica a associação responsável, que terá até 15 dias úteis para apresentar documentos que comprovem a autorização do desconto. Caso não consiga, terá mais 15 dias para devolver o valor.
O dinheiro, no entanto, não será devolvido diretamente ao beneficiário. O reembolso será feito primeiro ao INSS, que se encarregará de repassar os valores aos segurados. Segundo o Instituto, essa medida busca proteger os dados bancários dos aposentados e evitar novas fraudes.
Por: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação













