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E-mails de Epstein revelam elogio a Bolsonaro e suposta ligação com Lula em 2018


Troca de mensagens divulgada nos EUA reacende debate sobre influência política e bastidores de uma eleição marcada por tensões.

Há documentos que, quando vêm à tona, acendem de novo memórias que o Brasil ainda tenta decifrar. A divulgação de e-mails inéditos ligados a Jeffrey Epstein, empresário condenado por abuso sexual e figura controversa até depois da morte, trouxe de volta um pedaço de 2018 que ajuda a entender o clima de disputa, expectativas e articulações que marcaram aquela eleição.

O conteúdo dos arquivos norte-americanos, divulgados pelo Comitê de Supervisão da Câmara dos EUA, mostra Epstein comentando o cenário político brasileiro, elogiando Jair Bolsonaro e mencionando até uma suposta ligação telefônica com o então preso Luiz Inácio Lula da Silva.

Epstein chama Bolsonaro de “o cara” em e-mails de 2018

Entre os mais de 20 mil documentos revelados nesta quarta-feira (12), um e-mail de 21 de setembro de 2018 mostra Epstein escrevendo a um destinatário não identificado e chamando Jair Bolsonaro, então candidato à Presidência, de “o cara”.

A troca de mensagens também sugere que Epstein teria conversado com Lula por telefone: afirmação que o Palácio do Planalto nega categoricamente.

Tradução da conversa:

  • Epstein: “Chomsky me ligou com Lula. Da prisão. Que mundo.”
  • Destinatário: “Diga a ele que o meu cara vai vencer no primeiro turno.”
  • Epstein: “Durante a coletiva de imprensa de quinta-feira, uma mensagem de Lula ao PT foi transmitida…”
  • Epstein: “Bolsonaro é o cara.”

A menção a Noam Chomsky não ocorre por acaso: o linguista visitou Lula na prisão um dia antes da troca dos e-mails, em 20 de setembro de 2018.

Governo nega ligação entre Lula e Epstein

Após a divulgação, o Palácio do Planalto afirmou que a conversa telefônica citada por Epstein “nunca aconteceu”.

Os documentos também registram uma mensagem na qual Epstein afirma que Donald Trump “sabia sobre as garotas”, numa referência ao episódio em que o ex-presidente dos EUA alegou ter expulsado Epstein do clube Mar-a-Lago por assediar jovens funcionárias.

Um passado que insiste em reaparece

A reaparição desses e-mails mostra como certos fragmentos do passado continuam atravessando o presente político brasileiro. São registros que, mesmo anos depois, seguem revelando camadas de influência, redes internacionais e versões ainda dispersas sobre como líderes globais se movimentavam enquanto o Brasil decidia seu futuro. E, quando documentos assim voltam à superfície, eles também nos convidam a revisitar quem éramos e a refletir sobre o que, de fato, mudou desde então.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/CNN

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