Deputado licenciado afirma estar disposto a sacrificar cargo para continuar atuando nos EUA; PT pede cassação por “traição à soberania”
O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou em entrevista à CNN que está disposto a renunciar ao seu mandato na Câmara dos Deputados. Ele está nos Estados Unidos desde fevereiro, onde atua em articulações políticas com a direita americana, e disse não enxergar “clima” para retornar ao Brasil.
“Estou disposto a sacrificar o meu mandato para trabalhar para o povo brasileiro aqui nos Estados Unidos. Não vejo clima para retornar ao Brasil e ser preso”, declarou o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A licença de Eduardo termina no próximo dia 20 de julho. Em fevereiro, ele já havia dado sinais de que poderia deixar o mandato caso o cenário político no Brasil não mudasse.
Pedido de cassação
No último domingo (13), o Partido dos Trabalhadores (PT) protocolou um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) pela cassação do mandato de Eduardo Bolsonaro. O partido acusa o deputado de atentar contra a soberania nacional, ao articular sanções econômicas dos EUA contra o Brasil, em meio ao aumento de tarifas anunciado pelo presidente norte-americano Donald Trump.
Além disso, em maio, o ministro Alexandre de Moraes autorizou a abertura de inquérito para investigar o envolvimento de Eduardo em possíveis pressões internacionais contra autoridades brasileiras, incluindo o próprio Moraes.
A situação do parlamentar se agrava diante do impasse diplomático com os EUA, da crescente tensão com o STF e da denúncia de que estaria condicionando a normalização das relações bilaterais à anistia dos investigados pelo 8 de janeiro.
Com um cenário jurídico e político cada vez mais hostil, Eduardo Bolsonaro parece se preparar para uma permanência prolongada no exterior e, se necessário, sem mandato.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação













