Deputado resgata ofensiva de ex-presidente dos EUA para questionar estratégia de redução de penas no Brasil.
Desde o momento em que a carta de Donald Trump foi enviada em repúdio a como a Suprema Corte está conduzindo o rito de condenações e elogiando o ex-presidente Jair Bolsonaro, aquelas palavras ressoavam não apenas como apoio internacional, mas como um grito por justiça; e aproveitando a ocasião,Eduardo Bolsonaro usou uma voz externa para contestar a maneira que o Brasil trata casos sensíveis como o do seu pai. É impossível não se comover com o peso simbólico dessa investida, pois ela revela muito mais do que uma disputa política: escancara inseguranças, frustrações e esperanças.
O centro da discussão gira em torno de um Projeto de Lei que, na prática, funcionaria como uma dosimetria para reduzir penas de pessoas envolvidas nos eventos de 8 de janeiro. É essa “regra do meio” que Eduardo contesta. Ele defende que ela não basta, que a anistia traria uma solução mais completa. E é nessa linha que ele retoma a carta que Trump enviou ao presidente Lula, colocando-a como argumento central na sua narrativa.
A carta de Trump entra em cena
No documento datado de 9 de julho de 2025, Trump elogiou Jair Bolsonaro como líder “altamente respeitado” e qualificou as acusações contra ele como parte de uma “caça às bruxas”, instando por uma suspensão imediata do processo no STF. Essa peça diplomática, segundo Eduardo, não é mera retórica externa: ela representaria uma pressão internacional legítima sobre o tratamento judicial do caso.
Para Eduardo, a dosimetria “não conserta essa perseguição; a anistia, sim.” Ele acusa ainda que o projeto que propõe medidas de redução penal seria uma estratégia dissimulada para enterrar, de fato, uma anistia: uma espécie de “enterro com aparência de luta”. 
Justiça, política e estratégia
Eduardo Bolsonaro não poupa críticas à Justiça brasileira. Ele questiona a condenação de seu pai, Jair Bolsonaro, à pena de 27 anos e 3 meses, proferida pela 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal sob acusação de liderar uma organização criminosa e tentar abolir o Estado Democrático de Direito após as eleições de 2022. Esse ponto é central para seu posicionamento: é da condenação extrema que se origina a sua cobrança por uma solução mais ampla, não meramente corretiva.
Ao trazer a carta de Trump para o debate, Eduardo aposta na construção de legitimidade: ele quer mobilizar não apenas simpatizantes, mas também o olhar crítico da opinião pública internacional. É uma estratégia audaciosa porque mistura direito penal, diplomacia e política de alto risco.
O que está em jogo para o Brasil
Se aprovada da forma proposta, a dosimetria poderia beneficiar réus envolvidos nos protestos de 8 de janeiro. Mas, para Eduardo, isso ficaria aquém do que seria necessário para reparar o “erro histórico” que ele enxerga no julgamento contra seu pai. Ele reivindica que apenas uma anistia conseguiria romper o que chama de “ciclo de perseguição política”.
No meio desse embate, surgem perguntas cruciais: qual deve ser o limite entre justiça e perdão? Até que ponto a legislação penal pode, ou deve, ser moldada por interesses políticos? E como as pressões externas interferem em decisões soberanas de um país?
No final das contas, o gesto de Eduardo Bolsonaro: usar carta de Trump para criticar o projeto, não é apenas uma medida retórica. É um convite ao debate intenso: sobre poder, sobre impunidade e sobre os caminhos que o Brasil escolhe para lidar com feridas políticas profundas.
Que nos próximos dias possamos lembrar não só do conflito concreto, mas do que ele revela: a fragilidade de instituições, a tensão entre perdão e punição, e, acima de tudo, a urgência de encontrar caminhos que unam responsabilidade e conciliação. Afinal, não se trata apenas de um embate político: trata-se de como queremos escrever o futuro desse país.
Leia aqui a íntegra em português da carta de Trump
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Poder 360













