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Em busca de apoio no Senado, Messias promete perfil discreto caso chegue ao STF

Indicado por Lula, advogado-geral da União defende autocontenção, transparência e diz querer distância dos holofotes na Suprema Corte.

Em meio às articulações silenciosas que costumam anteceder grandes decisões institucionais, Jorge Messias tem feito um movimento calculado pelos corredores do Senado. Em conversas reservadas com parlamentares, o advogado-geral da União tenta reduzir resistências e construir confiança ao apresentar um compromisso claro: se chegar ao Supremo Tribunal Federal, sua atuação será marcada pela discrição.

Segundo relatos de senadores ouvidos pela CNN, Messias tem usado a palavra “recatado” para definir o perfil que pretende adotar na Corte. A promessa, repetida em diferentes encontros, é de autocontenção nas decisões e de distância de exposições públicas que possam gerar ruídos políticos ou institucionais.

Discrição como método

O indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirma que pretende se espelhar em ministros conhecidos por uma postura mais reservada. Em especial, cita magistrados que evitam protagonismo fora dos autos e que não mantêm vínculos familiares com a advocacia, justamente para afastar qualquer dúvida sobre conflitos de interesse.

Messias também tem destacado aos senadores que pretende adotar práticas de transparência como eixo central de sua atuação. Entre as medidas mencionadas está a divulgação da agenda diária de reuniões, incluindo encontros com advogados e autoridades públicas, como forma de reforçar a confiança institucional no Supremo.

Referências no STF

Entre os exemplos de conduta que diz admirar, Messias menciona os ministros Cristiano Zanin e Edson Fachin. Ambos são vistos no meio jurídico e político como magistrados de perfil técnico e baixa exposição pública, característica que o indicado considera essencial para preservar a credibilidade da Corte.

Apesar do discurso conciliador, o caminho até o STF ainda é incerto. A indicação de Messias por Lula não foi bem recebida por parte da cúpula do Senado, que preferia o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para ocupar a vaga aberta com a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso.

Resistência política

O principal obstáculo à aprovação de Messias é o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Em novembro, ele chegou a divulgar uma nota pública criticando a condução do governo nas articulações em torno do nome do advogado-geral da União, sinalizando forte insatisfação.

Poucas semanas depois, no entanto, o clima começou a mudar. Alcolumbre e Lula reaproximaram-se, trocaram elogios públicos e conversaram por telefone para tentar aparar as arestas, gesto interpretado nos bastidores como uma tentativa de distensão institucional.

Enquanto o Senado avalia o peso político da escolha e os desdobramentos de uma eventual sabatina, Messias aposta no discurso do equilíbrio e da sobriedade. Em um Supremo frequentemente pressionado por expectativas políticas e pela opinião pública, a promessa de silêncio, recato e autocontenção surge como uma estratégia — e também como um teste sobre que tipo de ministro o país espera para sua Corte mais poderosa.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Reuters

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