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Em dia de julgamento de Bolsonaro, Tarcísio agradece “por tudo” e diz que gratidão não prescreve

Enquanto STF rejeita recurso do ex-presidente, governador de São Paulo reforça laços com Bolsonaro e enfrenta dilemas sobre futuro político e sucessão em 2026.

Em meio ao avanço do julgamento que pode consolidar a condenação de Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e três meses de prisão, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), fez nesta sexta-feira (7) um discurso carregado de emoção e lealdade. Durante a posse do conselheiro Wagner de Campos Rosário no Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP), Tarcísio agradeceu publicamente o ex-presidente, a quem chamou de “presente” e a quem deve, segundo suas palavras, uma gratidão “que não prescreve nunca”.

Discurso em meio a julgamento

“Gratidão é algo que não prescreve e não vai prescrever nunca. Sou muito grato por tudo, muito grato ao presidente Jair Bolsonaro”, disse Tarcísio diante de uma plateia que incluía os senadores Rogério Marinho (PL) e Flávio Bolsonaro (PL), que representou o pai no evento. O governador destacou o papel de Bolsonaro em sua trajetória política, reforçando o vínculo entre os dois num momento de grande desgaste para o ex-presidente.

O gesto ocorreu no mesmo dia em que a Primeira Turma do STF iniciou o julgamento virtual dos recursos de Bolsonaro e de outros seis condenados pela tentativa de golpe de Estado. Até o momento, o placar está em 2 a 0 pela rejeição dos recursos, com votos de Alexandre de Moraes e Flávio Dino.

A defesa do ex-presidente havia apresentado embargos de declaração em 27 de outubro, alegando “injustiças” e “erros” no julgamento. O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, afirmou que o recurso era apenas um “mero inconformismo” com o resultado.

Bolsonaro ausente, mas presente

A ausência física de Bolsonaro foi compensada pela presença simbólica. Flávio Bolsonaro afirmou, em publicação nas redes sociais, que o pai “deveria estar na Mesa de Honra” e classificou sua ausência como resultado de uma “perseguição implacável, covarde e ilegal”.

A posse no TCESP, realizada no Auditório Nobre da Corte de Contas, também contou com a presença de autoridades como o deputado estadual André do Prado (PL), presidente da Alesp, que discursou durante a cerimônia. O evento serviu como ponto de encontro de aliados do bolsonarismo e vitrine para Tarcísio, que, mesmo adotando postura administrativa, continua sendo visto como herdeiro político do ex-presidente.

Silêncio de Bolsonaro trava “Plano Tarcísio”

Nos bastidores, porém, o momento é de incerteza. De acordo com informações da analista Clarissa Oliveira, da CNN Brasil, a indefinição de Bolsonaro sobre sua sucessão tem gerado preocupação entre aliados e travado os planos de Tarcísio para 2026.

“Senti uma preocupação muito grande ali com o ok de Jair Bolsonaro, que não está vindo”, afirmou Clarissa durante o programa Live CNN. Segundo ela, a falta de clareza sobre quem será o candidato da direita à Presidência dificulta o avanço de articulações políticas em São Paulo e nacionalmente.

Sem a bênção explícita de Bolsonaro, Tarcísio tem evitado se colocar como candidato e mantém foco na gestão estadual. Entretanto, aliados consideram que adiar essa definição pode comprometer a competitividade da direita nas próximas eleições.

Sucessão em São Paulo e dilema político

Outro impasse envolve a sucessão ao Palácio dos Bandeirantes. Se Tarcísio disputar a Presidência, não há um nome claro da direita para o governo paulista. Entre as possibilidades citadas nos bastidores estão Ricardo Nunes, atual prefeito de São Paulo, e Felicio Ramuth, vice-governador: ambos dependentes da decisão do próprio Tarcísio.

Para agravar o cenário, há especulações de que Bolsonaro poderia preferir apoiar um membro da própria família na corrida presidencial, o que tornaria ainda mais incerto o destino político do governador paulista.

Entre a lealdade e o futuro

O discurso emocionado de Tarcísio em defesa de Bolsonaro, em um dia de julgamento decisivo, mostra que a lealdade política continua sendo um dos pilares da relação entre ambos. Mas também expõe o dilema de um líder que tenta equilibrar gratidão e ambição, mantendo viva uma aliança que hoje é tão simbólica quanto estratégica.

Em tempos de rupturas e silêncios, o gesto de Tarcísio soa como um lembrete de que, na política, a fidelidade pode ser virtude, mas também armadilha.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Pablo Jacob/Governo de SP

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