Acelerada para o dia 10, sabatina divide Senado e irrita ministros que veem risco de desgaste institucional e rejeição “descabida”.
A indicação de Jorge Messias ao Supremo, que já vinha cercada de tensão política, ganha novos contornos à medida que ministros da própria Corte passam a demonstrar incômodo com a possibilidade de o Senado rejeitar o nome escolhido por Lula. Nos bastidores, a leitura é de que o clima azedou mais do que deveria e que a disputa entre o Planalto e Davi Alcolumbre ameaça respingar nas relações entre Poderes
A sabatina foi agendada para 10 de dezembro, apesar da movimentação do governo para ganhar tempo. Para parte expressiva do Judiciário, a pressa do Senado soa como um sinal político claro e pouco prudente.
Pressão sobre Alcolumbre e críticas à aceleração
Integrantes do STF ouvidos pela CNN avaliam que Alcolumbre pode “passar do ponto” caso force a derrubada de Messias. Embora o presidente do Senado tenha preferência pelo nome de Rodrigo Pacheco, ministros lembram que Lula já deixou claro que não indicará Pacheco se Messias for rejeitado.
A aceleração do processo, mesmo contra o interesse do Planalto, é vista dentro da Corte como algo “descabido”, capaz de criar desgastes desnecessários entre Executivo e Legislativo e até dentro do próprio Judiciário.
Histórico de atritos agrava o cenário
A leitura de ministros é de que não existe ambiente político para transformar a sabatina em um cabo de guerra. O passado recente pesa: em 2023, Alcolumbre dificultou a tramitação de um indicado de Jair Bolsonaro, em um gesto que até hoje contamina a relação dele com a Suprema Corte.
No caso de Messias, há quem enxergue um risco de “ruído permanente” se o Senado tentar barrar a indicação.
Quem apoia Messias dentro do STF
Segundo apuração da CNN Brasil, ministros como André Mendonça, Gilmar Mendes e Flávio Dino estariam atuando nos bastidores para defender o nome de Messias e reduzir resistências no Senado. A percepção é de que a crise política em torno da indicação ameaça desgastar desnecessariamente a Corte.
Em um momento em que os Poderes tentam construir pontes em meio a uma série de tensões institucionais, a disputa em torno da sabatina de Messias expõe o quanto cada gesto, seja de pressa ou de resistência, reverbera muito além da CCJ. A próxima semana será decisiva, e o país observa enquanto Senado, Planalto e STF testam seus próprios limites.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/BBC













