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Equipe econômica prepara plano alternativo ao IOF e deve apresentar proposta a Lula nesta terça-feira (10) 

Presidente retorna de viagem à França e deve se reunir com ministros para avaliar novo pacote de medidas fiscais 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retorna a Brasília na noite desta segunda-feira (9), após viagem oficial à França. Mas é somente na terça-feira (10) que a equipe econômica deverá apresentar ao chefe do Executivo (presidente Lula) o novo plano que substitui o decreto que aumentava o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e que gerou forte reação no Congresso. 

O pacote vem sendo costurado entre o Ministério da Fazenda e parlamentares desde o fim de semana e traz medidas consideradas mais equilibradas para garantir a arrecadação sem afetar diretamente a atividade econômica. 

Entre os principais pontos estão a recalibragem do decreto do IOF, o envio de uma medida provisória com compensações fiscais, uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para rever benefícios tributários e um compromisso formal com o controle de gastos públicos. 

Entenda o que está na mesa 

Durante a negociação com o Congresso, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentou as bases do novo plano. Veja o que está sendo proposto: 

  • Redução do IOF sobre operações de crédito para empresas
  • Redução de 80% nas operações com risco sacado
  • Redução no IOF de seguros de vida do tipo VGBL (com prêmio por sobrevivência)
  • Cobrança de alíquota mínima sobre Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC)
  • Isenção de IOF no retorno de investimentos estrangeiros diretos ao Brasil, como já ocorre em aplicações financeiras e no mercado de capitais. 

Essas mudanças atendem a pedidos do setor produtivo e financeiro, e ajudam a evitar o desgaste de um aumento generalizado no IOF, especialmente em um momento de economia ainda sensível. 

Fontes alternativas de arrecadação 

Para compensar a perda de arrecadação gerada pelo recuo no IOF, o governo vai recorrer a novas fontes de receita. Entre as medidas previstas estão: 

  • Aumento da taxação sobre casas de apostas (bets): a alíquota sobe de 12% para 18%; 
  • Fim da isenção para LCI e LCA: rendimentos de títulos de crédito imobiliário e agrícola passam a ser tributados em 5% no Imposto de Renda; 
  • Mudança na CSLL: a menor alíquota da Contribuição Social sobre Lucro Líquido deixará de existir, o que aumenta a carga sobre fintechs e aproxima o tratamento fiscal das empresas ao que já é cobrado de bancos tradicionais; 
  • Revisão de isenções fiscais: um projeto de lei complementar deve prever o corte de cerca de 10% nas renúncias fiscais, de acordo com o presidente da Câmara, Arthur Lira. 

O que vem agora? 

A expectativa é que Lula avalie o novo pacote ainda nesta semana, com a intenção de alinhar o discurso e minimizar ruídos políticos. A decisão de recuar do aumento do IOF foi bem recebida por líderes do Congresso, que vinham manifestando resistência à medida e cobravam diálogo mais amplo. 

Com as contas públicas no centro do debate, o governo tenta equilibrar o compromisso com o arcabouço fiscal e a necessidade de manter investimentos e programas sociais. O desafio, agora, será conciliar essas metas com apoio político e manter a governabilidade em meio à pressão econômica. 

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação

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