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Escala 6×1 exige cautela e diálogo, diz presidente do PT em encontro com empresários

Edinho Silva afirma que discussão sobre o fim da jornada deve amadurecer no Congresso e reacende debate sobre direitos trabalhistas e impactos econômicos.

O debate sobre a escala 6×1 voltou ao centro das atenções e, desta vez, cercado de um clima que mistura expectativa, preocupação e necessidade de escuta. Em um momento em que milhões de trabalhadores acompanham atentamente qualquer sinal de mudança na rotina de trabalho, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, defendeu que o tema seja tratado com calma e responsabilidade, reconhecendo o peso social e econômico da discussão.

A declaração foi feita durante um fórum de empresários realizado nesta segunda-feira (9), quando Edinho foi questionado sobre os possíveis impactos do fim da jornada 6×1, especialmente o aumento de custos e o risco de demissões em setores intensivos em mão de obra, como bares e restaurantes.

Congresso como espaço do debate

Ao responder aos empresários, o dirigente petista reforçou que a discussão precisa ocorrer no ambiente institucional adequado. Segundo ele, o Congresso Nacional é o espaço legítimo para avaliar, debater e decidir sobre mudanças dessa magnitude na legislação trabalhista, justamente por envolver interesses distintos e efeitos diretos na vida de trabalhadores e empregadores.

A fala sinaliza uma tentativa de equilíbrio entre a defesa de melhores condições de trabalho e a preocupação com a sustentabilidade econômica dos setores produtivos, num cenário ainda marcado por desafios econômicos e sociais.

PEC avança na Câmara

Enquanto o debate ganha tom de cautela no discurso político, o tema avança formalmente no Legislativo. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, determinou o início da tramitação da Proposta de Emenda Constitucional que prevê o fim da jornada 6×1. A análise começa pela Comissão de Constituição e Justiça, responsável por avaliar a admissibilidade do texto.

Hugo Motta também anunciou a unificação das PECs apresentadas pela deputada Érika Hilton, do PSOL de São Paulo, e pelo deputado Reginaldo Lopes, do PT de Minas Gerais. Após passar pela CCJ, a proposta seguirá para uma Comissão Especial e, somente depois, poderá ser levada ao plenário da Casa.

No fundo, a discussão sobre a escala 6×1 vai além de números, planilhas e horas trabalhadas. Ela toca diretamente na qualidade de vida, no tempo com a família, na saúde mental e na dignidade do trabalho. É um debate que exige sensibilidade, escuta e maturidade política, porque, no fim das contas, não se trata apenas de jornadas, mas de pessoas e de como a sociedade escolhe organizar o seu próprio tempo de viver.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Estadão Conteúdo

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