Acadêmicos de Niterói cai para a Série Ouro enquanto Unidos do Viradouro celebra campeonato com homenagem a Mestre Ciça.
A apuração do Grupo Especial do Rio de Janeiro foi marcada por emoção, expectativa e reviravoltas. Entre notas décimo a décimo, a festa que consagrou a campeã também selou a queda de uma das agremiações mais comentadas deste Carnaval. A Unidos do Viradouro conquistou o título, enquanto a Acadêmicos de Niterói, que levou para a avenida um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acabou rebaixada para a Série Ouro em 2027.
A leitura das notas aconteceu nesta quarta-feira (18), na Cidade do Samba, na Zona Portuária. Ao todo, 12 escolas disputaram o troféu máximo do Carnaval carioca, avaliadas nos quesitos bateria, harmonia, evolução, samba-enredo, enredo, mestre-sala e porta-bandeira, comissão de frente, alegoria e fantasia.
Viradouro campeã e classificação apertada
Com 270 pontos, a Viradouro garantiu o primeiro lugar com um desfile que homenageou o comandante de sua bateria, Mestre Ciça. A apresentação foi marcada pelo retorno da atriz Juliana Paes ao posto de rainha de bateria após 17 anos, um dos momentos mais celebrados da noite.
A diferença para as concorrentes foi mínima. A Beija-Flor de Nilópolis e a Unidos de Vila Isabel empataram com 269,9 pontos, seguidas pela Acadêmicos do Salgueiro, que somou 269,7.
Na outra ponta da tabela, a Acadêmicos de Niterói fechou com 264,6 pontos e acabou rebaixada.
Confira a classificação geral:
- Unidos do Viradouro – 270,0
- Beija-Flor de Nilópolis – 269,9
- Unidos de Vila Isabel – 269,9
- Acadêmicos do Salgueiro – 269,7
- Imperatriz Leopoldinense – 269,4
- Estação Primeira de Mangueira – 269,2
- Unidos da Tijuca – 268,7
- Acadêmicos do Grande Rio – 268,7
- Paraíso do Tuiuti – 268,5
- Portela – 267,9
- Mocidade Independente de Padre Miguel – 267,4
- Acadêmicos de Niterói – 264,6
Desfiles que misturaram política, cultura e identidade
A Acadêmicos de Niterói abriu o Carnaval com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, desenvolvido pelos carnavalescos Tiago Martins e Igor Ricardo. Estreante no Grupo Especial após conquistar a Série Ouro em 2025, a escola apostou em um tema político e social, mas não conseguiu convencer os jurados o suficiente para permanecer na elite.
Já a Imperatriz Leopoldinense homenageou o cantor Ney Matogrosso com o enredo “Camaleônico”, celebrando a trajetória performática do artista. A Portela levou para a avenida uma narrativa histórica que resgatou a trajetória de Custódio Joaquim de Almeida, príncipe do Benin que viveu no Rio Grande do Sul.
A Estação Primeira de Mangueira exaltou as tradições afro-indígenas da Amazônia com o enredo sobre Mestre Sacaca, enquanto a Mocidade Independente de Padre Miguel emocionou ao homenagear Rita Lee, destacando inclusive sua militância na causa animal.
A Unidos da Tijuca trouxe para o centro da Sapucaí a escritora Carolina Maria de Jesus, reafirmando o poder da literatura como instrumento de denúncia social.
A Acadêmicos do Grande Rio apostou no manguebeat, movimento cultural surgido em Recife nos anos 1990, enquanto a Paraíso do Tuiuti apresentou o enredo “Lonã Ifá Lukumi”, explorando a religiosidade afro-cubana. Já o Salgueiro encerrou os desfiles homenageando a carnavalesca Rosa Magalhães, falecida em 2024.
Carnaval que reflete o país
O Carnaval do Rio mais uma vez mostrou que a Sapucaí é palco de muito mais do que brilho e fantasia. Ali passam debates políticos, memórias culturais, resistência afro-brasileira, música, literatura e identidade.
Entre aplausos, vaias, imprevistos e superações, o resultado consagrou uma campeã, mas também deixou lições. No Carnaval, como na vida pública, cada escolha tem peso. E, na avenida onde o Brasil se vê refletido, a vitória e o rebaixamento são apenas capítulos de uma história que continua a ser contada ano após ano, sob o som dos tamborins e o olhar atento de milhões de brasileiros.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/TV Pampa













