Home / Nacional / Estupro em Copacabana: último foragido se entrega e todos os acusados já estão presos

Estupro em Copacabana: último foragido se entrega e todos os acusados já estão presos

Bruno Allegretti se apresentou na Baixada Fluminense; caso envolve filho de ex-subsecretário e segue sob forte comoção no Rio.

Há crimes que não chocam apenas pela brutalidade, mas pelo que revelam sobre falhas, silêncios e omissões. O estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos, em Copacabana, no fim do mês passado, é um desses casos que deixam marcas profundas: na vítima, na família e em toda a sociedade. Nesta quarta-feira (4), o último foragido decidiu se entregar à polícia, encerrando a fase de buscas e abrindo um novo capítulo na responsabilização dos envolvidos.

Bruno Felipe dos Santos Allegretti se apresentou na Delegacia de Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Ele era o único dos quatro adultos denunciados que ainda não havia sido preso. Com a sua entrega, não há mais investigados foragidos.

Todos os envolvidos identificados

De acordo com a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, cinco pessoas foram responsabilizadas pelo caso: quatro maiores de idade e um adolescente. Para os adultos, a Justiça decretou prisão preventiva. Já o menor responderá por ato infracional análogo ao crime de estupro, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente.

As investigações apontam que o crime ocorreu em um apartamento em Copacabana, na Zona Sul do Rio. Durante a apuração, a polícia identificou que o imóvel pertence ao então subsecretário de Governança do Governo do Estado, José Carlos Costa Simonin. O filho dele, Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos, está entre os denunciados por participação no estupro coletivo.

Exoneração após repercussão

Após a repercussão do caso, o governo estadual exonerou José Carlos Costa Simonin do cargo. A decisão foi publicada no Diário Oficial e ocorreu em meio à pressão pública e à gravidade das acusações envolvendo o imóvel de sua propriedade.

Em nota, o Governo do Estado afirmou que repudia o ato de violência e informou que a Secretaria de Estado da Mulher presta apoio psicológico à vítima e à família. A Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos também declarou que acompanha o caso por meio da rede de proteção.

O que dizem as defesas

A defesa de Vitor Hugo declarou à imprensa que o jovem nega participação no crime, embora admita que estava no apartamento no dia dos fatos. Segundo o advogado, ele não teve oportunidade de prestar depoimento durante a fase inicial da investigação. A defesa informou ainda que tomou conhecimento de uma outra denúncia envolvendo o nome do jovem, mas que ainda não teve acesso ao conteúdo.

O advogado de João Gabriel também negou as acusações e afirmou confiar que a Justiça, de forma isenta, reconhecerá a improcedência da denúncia. A defesa de Matheus não se manifestou. Ele permaneceu em silêncio em depoimento e foi encaminhado ao sistema prisional.

O peso da violência e a busca por justiça

O caso tramita na Justiça do Rio de Janeiro e segue sob forte comoção social. Mais do que um processo criminal, trata-se de um episódio que expõe a vulnerabilidade de jovens mulheres e a urgência de enfrentar a cultura de violência de forma estrutural.

Para a vítima, o caminho agora é de reconstrução, com apoio, acolhimento e respeito. Para a sociedade, fica o desafio de transformar indignação em responsabilidade coletiva. Porque quando uma adolescente tem sua dignidade violada, não é apenas um crime que está em julgamento, mas o compromisso de todos nós com a proteção, a justiça e a humanidade.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *