Executivos brasileiros recebem recado político sobre tarifas de Trump e a dificuldade de soluções técnicas.
Um encontro tenso e revelador marcou a tarde desta quarta-feira (3) em Washington. Empresários brasileiros, que viajaram aos Estados Unidos para tratar do “tarifaço” imposto por Donald Trump, ouviram uma mensagem clara: não há solução técnica ou econômica para o impasse; apenas uma saída política, a ser resolvida em Brasília.
Aviso direto da Casa Branca
O grupo de executivos teve reunião fechada com Christopher Landau, número 2 do Departamento de Estado americano. Segundo relatos à CNN, Landau deixou claro que qualquer tentativa de negociar o tema diretamente com órgãos técnicos nos EUA, como a Secretaria do Tesouro ou o Departamento de Comércio, seria infrutífera. A responsabilidade pela resolução, disse ele, é exclusivamente do governo brasileiro.
Prejuízos e interesses internacionais
Os empresários alertaram que a estratégia americana pode beneficiar a China, que ganharia mais espaço na economia brasileira, enquanto prejudica empresas dos próprios EUA atuando no país. Landau respondeu que lamentava os impactos, mas que “isso já estava na conta de Trump”. Mesmo com o recado duro, a Casa Branca reiterou que o diálogo está aberto e que os executivos seriam sempre bem recebidos.
Pontes e canais de diálogo
Apesar da frustração, os participantes da reunião avaliaram que a ida a Washington valeu a pena. “Não temos outra opção que não abrir portas, estabelecer canais de diálogo e criar pontes para debater interesses comuns”, relataram fontes ouvidas pela CNN.
Reflexo para o Brasil
O episódio evidencia que o Brasil está sob uma pressão política e econômica incomum. As decisões de Trump sobre tarifas não seguem lógica técnica, e a solução depende de articulação política interna, ao mesmo tempo em que a concorrência internacional observa cada movimento. A sensação é de que cada passo no campo econômico exige atenção redobrada e estratégia cuidadosa em Brasília, não em Washington.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/CNN













