Após seis meses de tensão política e disputa de poder, o governador Marcos Rocha anuncia demissão do vice durante entrevista à Rema TV, citando tentativa de golpe e movimentações judiciais nos bastidores.
Hoje (7 de julho de 2025), em entrevista à emissora Rema TV – Canal 5.1- , o governador de Rondônia, Marcos Rocha (União Brasil), anunciou ao vivo a exoneração do vice‑governador Sérgio Gonçalves da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico (SEDEC), cargo que ocupava por dois anos e meio;
Um desentendimento que cresceu nos bastidores
Segundo Rocha, o estopim da ruptura aconteceu enquanto ele liderava uma missão oficial em Israel, no início do conflito com o Irã. De acordo com o governador, Sérgio Gonçalves teria tentado articular nos bastidores a “tomada” do seu mandato, mobilizando deputados estaduais e criticando a aprovação da Emenda 174/2025, que permite ao governador assinar atos e decretos à distância — mesmo fora do estado — sem repassar automaticamente o poder ao vice.
Ao acusar o vice de “covardia”, Rocha reforçou que foi informado por parlamentares que o mandato estadual permanecerá sob seu controle, e não sob Sérgio Gonçalves.
Clima institucional fragilizado
A crise se intensificou ainda mais após o vice recorrer à Justiça contra a Emenda Constitucional aprovada em 17 de junho, em uma ação direta de inconstitucionalidade. O objetivo era impedir o governador de despachar à distância, revertendo a mudança aprovada com forte apoio da base aliada; estratégia que, segundo especialistas, deixou Gonçalves ainda mais isolado.
Além disso, em junho, Sérgio fez pedido público para a exoneração do secretário-chefe da Casa Civil, Elias Rezende: uma interferência que Marcos Rocha classificou como “vacilo” e “momento de fraqueza”, citando quebra de confiança entre os dois.
Impactos políticos e administrativos
Com a saída de Sérgio da SEDEC, mais de 170 cargos comissionados ligados à pasta ainda precisam ser realocados, segundo informações de bastidores. O nome do substituto ainda não foi confirmado, e o vice permanecerá com uma pequena estrutura no Palácio Rio Madeira.
Para analistas políticos, a disputa pode frustrar planos futuros, já que Rocha planeja disputar uma vaga ao Senado em 2026. Sem confiança no vice, ele pode optar por permanecer no governo até o final do mandato, abandonando a postulação ao Senado. Paralelamente, o desgaste também pode prejudicar possíveis candidaturas da família Rocha: incluindo a da primeira‑dama Luana Rocha.
Quem é Sérgio Gonçalves?
Natural do Paraná e com carreira na iniciativa privada, Sérgio Gonçalves da Silva (49 anos) foi diretor de multinacionais antes de ingressar na SEDI em 2019 e depois na SEDEC. Filiado ao União Brasil, exerce o cargo de vice desde janeiro de 2023, eleito com 52,47 % dos votos.
Nos primeiros meses de 2025, destacou-se por uma postura participativa, reunindo-se com sindicatos e lideranças para fortalecer sua imagem como gestor ativo; mas toda essa projeção acabou sendo soterrada pelo conflito político que culminou na exoneração
O que podemos concluir
A demissão de Sérgio Gonçalves da SEDEC marca mais um capítulo de um embate crescente entre o governador e seu vice; envolvendo emendas constitucionais, disputas pelo comando da máquina pública e reviravoltas judiciais. Com a base aliada consolidando o poder de Rocha e o vice isolado, resta saber como se dará a recomposição política no Palácio Rio Madeira e se futuros planos eleitorais sobreviverão a essa tempestade.
Crise interna pode embaralhar o jogo para 2026
Nos bastidores políticos de Rondônia, o desgaste entre o governador Marcos Rocha e seu vice, Sérgio Gonçalves, já é lido como um divisor de águas no cenário para as eleições de 2026.
Até poucos meses atrás, havia quem apostasse que Rocha deixaria o governo para disputar uma vaga no Senado, consolidando sua trajetória política após dois mandatos no Executivo estadual. Com a estrutura da máquina nas mãos e capital político entre o eleitorado conservador, o plano era viável; especialmente se houvesse confiança no vice para segurar o comando do estado até o fim do mandato. Mas a relação rachada sepultou qualquer transição tranquila.
O temor de entregar o governo a alguém considerado “infiável” mudou os cálculos. Ao anunciar publicamente que “o mandato é dele”, Rocha sinalizou que pode abrir mão da corrida ao Senado para não colocar em risco sua autoridade no Palácio Rio Madeira.
A crise também complica uma possível candidatura da primeira-dama Luana Rocha, cotada por aliados para disputar a prefeitura de Porto Velho ou uma cadeira na Câmara dos Deputados. Com a imagem do governo arranhada, até mesmo nomes ligados ao grupo político de Rocha podem enfrentar maior resistência do eleitorado.
Sérgio Gonçalves, por sua vez, sai desgastado, mas não necessariamente fora do jogo. Apesar de isolado politicamente e alvo de críticas públicas do governador, ele mantém o cargo de vice e articula discretamente com setores da oposição. O vice pode buscar abrigo em outra legenda ou até construir uma narrativa de “vítima do sistema”, se souber explorar o discurso da autonomia e do “combate ao autoritarismo”; o que ainda é uma aposta de risco num estado com forte base bolsonarista.
A ruptura entre os dois líderes do Executivo estadual escancara uma disputa por poder que pode redefinir alianças, isolar projetos e forçar reconfigurações até nas bases eleitorais. Se 2026 já era uma incógnita, agora virou uma estrada em neblina.
Veja a entrevista na íntegra na programação e redes sociais da Rema TV- Canal 5.1:
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação













