Ministro do STF aponta que organizações criminosas operam hoje em mercados formais, o que aprofunda a crise de segurança no Estado do Rio de Janeiro.
Desde a última megaoperação da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, que resultou em cerca de 120 mortos e 81 presos e que foi qualificada como a mais letal da história da capital fluminense, o panorama de violência no estado ganhou nova dimensão. O ministro Flávio Dino afirmou que o caos observado não é apenas fruto de confrontos policiais, mas sim da “ultracapitalização” das facções criminosas. Ele explicou que essas organizações já deixaram de viver exclusivamente do mercado ilegal e passaram a atuar em mercados como garimpo, combustíveis, mercado imobiliário e outros setores formais da economia.
Novo perfil do crime organizado
Dino detalha que as facções saíram do “mercado de rua” para integrarem sistemas muito mais complexos e multifacetados. Ele considera que essa inserção na economia formal torna o controle estatal mais difícil e amplia a capacidade de fogo; política e armada desses grupos.
No cenário dessa megaoperação, por exemplo, o governo do estado informou que a ação teve planejamento de 60 dias e que visava o enfrentamento ao Comando Vermelho.
O que muda para a sociedade
Para além dos números e das prisões, o que está em jogo é o impacto direto para moradores, trabalhadores e famílias que vivem em zonas vulneráveis. Quando o crime está estruturado em mercados formais, ele deixa de ser apenas “insegurança periférica” e passa a influenciar decisões urbanas, governança e direitos.
Isso amplia o desafio: não basta apenas operação policial. É preciso articulação entre segurança, justiça, economia e políticas públicas para retomar territórios, tornar visível o financiamento das facções e inteligência integrada para desestruturar essa cadeia.
Por que devemos acompanhar de perto
A fala de Dino serve como alerta: se essas organizações estão tão bem estabelecidas, então a simples repressão, embora necessária, não será suficiente. Será preciso enfrentamento em várias frentes: financeiro, urbanístico, jurídico e comunitário. O momento é de questionar como o Estado vai se adaptar a esse novo perfil do crime e como a sociedade, especialmente quem vive em favelas e periferias, vai voltar a sentir segurança real e cotidiana.
Reflexão
Quando se diz que as facções estão “ultracapitalizadas”, o que estamos dizendo, na prática, é que o confronto vai além do tiroteio nas vielas: é também disputa por território, por economia, por invisibilidade institucional. Se queremos verdadeiramente virar essa página, será necessário olhar para o crime como empresa e enfrentá‑lo como tal. A segurança pública precisa se reinventar, e cada cidadão, cada comunidade, também merece não apenas a promessa de proteção, mas a vivência concreta dela.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Agência Brasil













