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FMI alerta que tarifas dos EUA podem desacelerar ainda mais a economia brasileira

Medida imposta por Trump entra em vigor nesta sexta (1º) e preocupa governo Lula, que ainda tenta abrir diálogo com a Casa Branca.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) emitiu nesta terça-feira (29) um sinal de alerta sobre os efeitos das novas tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, previstas para entrar em vigor no próximo dia 1º de agosto. Segundo o organismo, a medida pode provocar uma desaceleração mais acentuada da economia brasileira do que a atualmente projetada.

“Nossa avaliação preliminar é que isso levaria a uma desaceleração mais acentuada na atividade econômica do que estamos projetando atualmente”, afirmou Petya Koeva-Brooks, vice-diretora do Departamento de Pesquisa do FMI, durante coletiva. Ela destacou que o impacto preciso das tarifas só poderá ser estimado com clareza após o detalhamento completo das novas alíquotas.

O fundo já havia incluído os efeitos de outras tarifas; como as que incidem sobre aço e alumínio, em suas previsões anteriores. Mesmo assim, manteve a projeção de crescimento para a economia brasileira em 2,3% neste ano e ajustou ligeiramente para cima a estimativa de 2026, de 2% para 2,1%. Ainda assim, o FMI reforça que há um cenário de desaceleração econômica a partir de 2025.

Enquanto isso, o governo brasileiro segue em esforço diplomático para tentar impedir o início das tarifas. O Palácio do Planalto não conseguiu até o momento abrir canal direto com a Casa Branca, e uma comitiva de senadores está em Washington buscando apoio junto ao setor empresarial e a parlamentares norte-americanos.

As novas taxas foram anunciadas por Donald Trump no dia 9 de julho, atingindo todas as exportações brasileiras com destino aos EUA. A decisão tem sido politizada: o republicano tem feito críticas diretas ao Supremo Tribunal Federal brasileiro, chamando as ações do ministro Alexandre de Moraes contra Jair Bolsonaro de “caça às bruxas”. Bolsonaro é réu por envolvimento na tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023.

Com a tensão política e os reflexos econômicos cruzando fronteiras, o tarifaço já é visto por organismos internacionais como mais um obstáculo no caminho da recuperação econômica brasileira, em um cenário global que também enfrenta incertezas.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação

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