Mais de 120 agentes atuaram em operação que marca início da recuperação ambiental da área; famílias foram notificadas e tiveram alternativas antes da ação.
Um novo capítulo na luta pela preservação da Amazônia Legal foi escrito nesta quarta-feira (24), em Rondônia. Uma força-tarefa composta por órgãos ambientais e de segurança promoveu a retirada de invasores da Floresta Nacional do Bom Futuro, em Porto Velho, após decisão da Justiça Federal. A ação mobilizou mais de 120 agentes e marcou o ponto de partida para a recuperação de uma das áreas mais pressionadas pela ocupação irregular na região.
Operação cumpre decisão judicial
A Justiça havia determinado, ainda em maio, que os ocupantes deixassem voluntariamente a floresta em até 15 dias. A Flona do Bom Futuro, criada nos anos 1980, possui atualmente cerca de 98 mil hectares, dos quais aproximadamente 15 mil já estavam degradados por invasões, desmatamento e loteamentos ilegais.
Levantamento feito em junho identificou 54 pessoas vivendo em 37 estruturas precárias dentro da área. A operação desta semana contou com helicópteros, dezenas de veículos e apoio logístico de diferentes instituições, incluindo ICMBio, Ibama, Polícia Federal, Exército, Corpo de Bombeiros e Polícia Militar.
Tentativas de solução pacífica
Antes da ação policial, tanto o Ministério Público Federal quanto o Incra buscaram saídas negociadas. Desde 2024, reuniões foram realizadas com as famílias para discutir alternativas como acesso a crédito fundiário e reassentamento em outras áreas. Em setembro, durante audiência pública, foi apresentado o plano de desocupação, incluindo prazos e a possibilidade de uso da força em caso de resistência.
Recuperação e prevenção
Com a desocupação concluída, o ICMBio instalará uma base fixa de fiscalização na floresta para evitar novas invasões. A área degradada passará por um processo de recuperação com apoio do Serviço Florestal Brasileiro, em um projeto prioritário do Governo Federal em parceria com a iniciativa privada.
Apoio às famílias
A operação também foi acompanhada por órgãos de assistência social, como a Defensoria Pública da União, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e secretarias estadual e municipal. A presença dessas instituições buscou garantir suporte às famílias que aceitaram deixar o local de forma voluntária.
A retirada dos invasores da Flona do Bom Futuro não é apenas um cumprimento de ordem judicial. Representa, sobretudo, uma tentativa de virar a página sobre a degradação ambiental que ameaça a Amazônia e, ao mesmo tempo, de equilibrar justiça social e preservação. Um lembrete de que a floresta precisa respirar e de que sua proteção depende das escolhas coletivas feitas hoje.













