Ator que marcou gerações com seus galãs na TV brasileira teve falência múltipla dos órgãos; velório é aberto ao público, das 7h às 15h no Funeral Home em São Paulo
Francisco Cuoco, um dos maiores ícones da teledramaturgia brasileira, morreu aos 91 anos, na manhã desta quinta-feira (19), em São Paulo. O ator estava internado no Hospital Albert Einstein há cerca de 20 dias e faleceu em decorrência de falência múltipla dos órgãos.
Cuoco deixa três filhos: Tatiana, Rodrigo e Diogo, além de netos e uma legião de fãs que acompanharam sua trajetória ao longo de quase seis décadas de carreira. O velório acontece nesta sexta-feira (20), das 7h às 15h, no Funeral Home, na Bela Vista, em São Paulo, com acesso liberado ao público. O sepultamento será às 16h, reservado apenas para familiares e amigos próximos.
Últimos momentos e despedida em família
A notícia da morte foi confirmada por Mauro Alencar, pesquisador de teledramaturgia e amigo pessoal do ator, e também pela atriz Rosamaria Murtinho, amiga de longa data de Cuoco. Segundo ela, os filhos do ator e a filha que vive em Londres conseguiram se despedir antes da partida.
“Ele estava sofrendo muito. A última imagem que ficou foi da família ao lado dele. Foi uma despedida com amor”, contou Rosamaria, emocionada.
O hospital também divulgou uma nota oficial sobre o falecimento:
“O Hospital Israelita Albert Einstein confirma o falecimento de Francisco Cuoco, nesta quinta-feira, às 14h54, em decorrência de falência múltipla dos órgãos.”
Da feira ao estrelato: a história de superação de Cuoco
Filho de um imigrante italiano, o feirante Leopoldo, e da dona de casa Antonieta, Francisco Cuoco nasceu em São Paulo e cresceu no bairro do Brás. Na juventude, ajudava o pai na feira durante o dia e estudava à noite com o sonho de ser advogado.
Mas foi na arte que encontrou sua verdadeira vocação. Fascinado pelas apresentações de circos mambembes que se instalavam perto de casa, Cuoco decidiu cursar a Escola de Arte Dramática de São Paulo. Dali partiu para os palcos do Teatro Brasileiro de Comédia e do Teatro dos Sete, onde consolidou sua base artística.
Sucesso nas novelas: de galã a astro da TV
A estreia na televisão aconteceu na extinta TV Tupi, no programa Grande Teatro Tupi. Mas foi na TV Globo que Cuoco se tornou um dos rostos mais conhecidos do Brasil, estrelando novelas como Selva de Pedra (1972), ao lado de Regina Duarte, O Astro (1977) e Pecado Capital (1975), onde viveu o inesquecível taxista Carlão.
Ao longo das décadas de 1970, 80 e 90, acumulou protagonistas e personagens que marcaram gerações. Sua parceria com Regina Duarte, aliás, foi uma das mais queridas pelo público da época.
Bastidores, polêmicas e reconciliações
Nem só de aplausos foi feita a carreira de Cuoco. Durante o remake de Pecado Capital, em 1998, protagonizou um desentendimento com a atriz Carolina Ferraz, que recusou-se a gravar uma cena de beijo com o ator. Anos depois, os dois voltaram a trabalhar juntos em O Astro (2011), selando a reconciliação.
“Essas coisas acontecem no ambiente de trabalho. Ficou no passado. Depois, a gente se deu muito bem”, declarou Carolina em entrevista à Veja Rio, anos depois.
Cinema, teatro e uma carreira multifacetada
Embora a televisão tenha sido sua principal vitrine, Cuoco também fez trabalhos marcantes no cinema, como Grande Sertão (1968), Traição (1998), Gêmeas (1999) e Cafundó (2005), ao lado de Lázaro Ramos. No teatro, sua última atuação foi em Real Beleza (2015).
Última homenagem e legado
Logo nas primeiras horas do velório, familiares e amigos começaram a chegar para o último adeus. Os netos enviaram uma coroa de flores com uma mensagem comovente: “Seu amor permanece vivo em cada um de nós.”
O local do sepultamento permanece em sigilo, sendo restrito apenas aos mais próximos.
Francisco Cuoco deixa um legado de mais de 50 novelas, dezenas de personagens icônicos e um lugar eterno na história da TV brasileira.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/O Globo













