Ministro afirma que responsabilização é essencial para impedir novas tentativas de ataque à democracia.
Durante um evento na Itália, o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou que os envolvidos no plano de golpe devem ser responsabilizados para que episódios semelhantes não se repitam no país. A declaração acontece enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é julgado pela Primeira Turma da Corte, acusado de tentar perpetuar-se no poder após as eleições de 2022.
“A responsabilização dos envolvidos é fundamental para que nada parecido jamais se repita”, disse Mendes nesta quarta-feira (3), na Suprema Corte di Cassazione, a Corte Constitucional da Itália.
STF resistente a pressões externas
O ministro também destacou que o STF não se submete a pressões externas, em referência às sanções dos Estados Unidos contra o ministro Alexandre de Moraes e ao chamado “tarifaço” que afeta a economia brasileira. “Essa mesma Corte não haverá de submeter-se agora, e está preparada para enfrentar, uma vez mais e sempre, com altivez e resiliência, todas as ameaças contra si e sua independência, venham de onde vierem”, afirmou.
Gilmar Mendes não participa do julgamento de Bolsonaro por compor a Segunda Turma do STF. No relatório da Polícia Federal que resultou no indiciamento do ex-presidente e de seu filho, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), foram incluídas mensagens de 27 de junho em que Jair orienta Eduardo a poupar críticas ao ministro.
Continuidade do julgamento
Nesta quarta, a Primeira Turma ouviu as defesas de Augusto Heleno, Jair Bolsonaro, Paulo Sérgio Nogueira e Braga Netto. Os advogados do ex-presidente alegaram cerceamento de defesa, pediram a anulação da delação do tenente-coronel Mauro Cid e sustentaram a inocência de Bolsonaro. O julgamento será retomado na semana que vem com mais cinco sessões.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/STF













