Procurador-geral apresentou acusações pesadas contra o ex-presidente e outros sete réus da suposta trama golpista.
No primeiro dia do julgamento histórico que coloca Jair Bolsonaro (PL) no banco dos réus, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, fez questão de deixar claro quem, para a acusação, seria o principal articulador do plano de golpe de Estado após as eleições de 2022. Em sua sustentação oral na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, nesta terça-feira (2), Bolsonaro foi citado 23 vezes.
O PGR pediu a condenação do ex-presidente, apontado como líder de uma organização que tentou abalar as instituições democráticas, e de outros sete réus. O segundo nome mais mencionado foi o do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e delator premiado, citado 12 vezes.
Acusações e crimes apontados pela PGR
Na denúncia, a Procuradoria atribui aos acusados cinco crimes: organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. A exceção é o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da Abin, que responde a três dessas acusações. Ele foi citado três vezes por Gonet, que destacou mensagens encontradas pela PF em que o parlamentar questionava a lisura das urnas e repassava a Bolsonaro dados considerados falsos sobre o sistema eletrônico de votação.
Quem mais foi citado na sustentação
Outros nomes também apareceram com destaque: o general Walter Braga Netto, preso no Rio de Janeiro, foi citado seis vezes e, segundo a acusação, teria discutido até mesmo um plano de assassinato de Lula, Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes. Os generais Augusto Heleno e Anderson Torres foram mencionados cinco vezes cada. Paulo Sérgio Nogueira apareceu em duas citações, e o almirante Almir Garnier, uma vez.
Ao longo das 45 páginas de sua sustentação, Gonet buscou reforçar que os réus formavam o “núcleo crucial” da tentativa de ruptura institucional.
O peso histórico do julgamento
A cada nome repetido pelo procurador, ecoava também o peso da história recente do Brasil. Mais que números, as citações traduzem a centralidade de Bolsonaro nesse processo e expõem como a democracia brasileira foi levada ao seu limite. Agora, cabe ao STF decidir se as palavras de acusação se transformarão em condenação.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/STF













