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Governadores recuam de plano para nomear Eduardo Bolsonaro e temem reação do STF

Aliados do ex-presidente tentam salvar mandato do deputado, mas estratégia enfrenta resistência política e jurídica.

Governadores alinhados ao bolsonarismo têm resistido à ideia de nomear o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para um cargo no Executivo estadual: uma manobra que vem sendo cogitada por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro para preservar o mandato do parlamentar.

Segundo apurou a CNN, representantes dos governos de Cláudio Castro (RJ), Tarcísio de Freitas (SP) e Jorginho Melo (SC) discutiram nos últimos dias a possibilidade de oferecer um cargo de secretário estadual a Eduardo. A medida permitiria ao deputado licenciar-se da Câmara dos Deputados sem prazo definido, conforme prevê o artigo 56 da Constituição Federal.

Apesar da brecha legal, o movimento enfrenta forte resistência nos bastidores. Interlocutores políticos avaliam que a nomeação, neste momento, poderia desgastar os governadores junto à opinião pública e ao Supremo Tribunal Federal (STF), em especial ao ministro Alexandre de Moraes, relator das investigações que envolvem Eduardo e Jair Bolsonaro.

A preocupação central é com o impacto institucional: nos últimos dias, Eduardo intensificou os ataques ao STF, aumentando o risco de a manobra ser interpretada como uma tentativa de blindagem política. Parlamentares da base governista já reagiram; o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), líder do partido na Câmara, solicitou ao ministro Moraes uma medida cautelar para impedir que o deputado assuma qualquer cargo comissionado.

A pressão também vem do setor econômico. Governadores têm sido cobrados por empresários e produtores afetados pelas tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, medida vista como retaliação às decisões do STF. Neste cenário, um gesto de apoio explícito ao clã Bolsonaro poderia prejudicar alianças políticas e econômicas com vistas às eleições de 2026.

Por ora, a iniciativa segue travada. Articuladores reconhecem que a ideia só ganharia tração caso houvesse um pedido direto de Jair Bolsonaro; algo que ainda não aconteceu. Nos bastidores, o clima é de cautela, com receio de que uma escolha mal calculada acarrete um desgaste ainda maior tanto para os governadores quanto para Eduardo.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação

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