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Governadores se unem em apoio a Cláudio Castro após operação mais letal da história do Rio

Reunião virtual discute reforço de inteligência e envio de equipamentos de segurança; Lula convoca encontro paralelo no Alvorada.

Um dia após a megaoperação policial nos Complexos do Alemão e da Penha; que já é considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro, com 132 mortos, segundo a Defensoria Pública, governadores de diferentes estados se reuniram na manhã desta quarta-feira (29) em uma videoconferência para demonstrar apoio político ao governador Cláudio Castro (PL).

Entre os participantes estão Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (União-GO), todos nomes de oposição ao governo federal e cotados como possíveis adversários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2026. O encontro ocorreu de forma simultânea à reunião convocada por Lula, no Palácio da Alvorada, para discutir os desdobramentos da operação no Rio.

Além de declarar solidariedade a Castro, os governadores discutiram formas de cooperação na área de segurança pública, incluindo compartilhamento de informações de inteligência e envio de equipamentos e efetivo especializado para apoiar as forças fluminenses. Também participaram Eduardo Leite (PSD-RS), Jorginho Mello (PL-SC), Ratinho Jr. (PSD-PR) e Mauro Mendes (União-MT).

Durante a reunião, Tarcísio de Freitas afirmou que “o enfrentamento ao crime organizado não pode ser tratado como um problema isolado de um estado, mas como uma questão nacional”. Segundo ele, as facções atuam de forma interestadual e, por isso, “é fundamental que haja integração real entre as polícias e apoio mútuo entre as unidades da federação”.

Romeu Zema também defendeu a união dos estados contra o avanço do tráfico e das milícias: “O que aconteceu no Rio é um alerta. Nenhum de nós está imune. Precisamos fortalecer as forças de segurança com inteligência, tecnologia e legislação firme”, declarou o governador mineiro.

A megaoperação, batizada de Contenção, mobilizou cerca de 2,5 mil agentes das polícias Civil e Militar, e resultou em dezenas de confrontos com integrantes do Comando Vermelho. A ação, contudo, gerou forte repercussão internacional, com denúncias de execuções sumárias e violação de direitos humanos, após moradores retirarem mais de 60 corpos de uma área de mata no Complexo da Penha, durante a madrugada desta quarta.

Em um gesto político que reforça a pauta de endurecimento contra o crime, Tarcísio de Freitas autorizou o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PP-SP), a reassumir seu mandato de deputado federal. Derrite deverá atuar na relatoria do projeto de lei que equipara a atuação de facções criminosas: como o Comando Vermelho e o PCC, ao crime de terrorismo, proposta apresentada pelo deputado Danilo Forte (União-CE).

A medida, defendida por aliados de Castro, é vista como uma resposta política e legislativa à escalada da violência urbana e ao fortalecimento das facções, que, segundo investigações da Polícia Civil fluminense, atuam de forma articulada entre estados e até com conexões internacionais.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Bruno Itan

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