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Governo calcula votos para barrar urgência da anistia na Câmara

Base de Lula avalia mudar estratégia diante da pressão da oposição e do centrão pelo perdão a Bolsonaro e aos réus do 8 de janeiro.

O governo Lula entrou em campo para tentar frear a pressão da oposição em torno do PL da Anistia. Após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), líderes governistas passaram a avaliar uma mudança de estratégia para impedir a aprovação da urgência da proposta já na próxima semana. A votação, que abriria caminho para o projeto ser analisado em plenário, é vista como o primeiro grande teste de forças entre base e oposição após o julgamento histórico no Supremo Tribunal Federal.

Contas no plenário

Nos bastidores, a base faz cálculos sobre o número de votos necessários para derrotar a oposição. A preocupação é que partidos do centrão, como Republicanos e PSD, mesmo após sinalizarem apoio à ideia de anistia, resistam em aprovar um texto considerado mais radical o que, na avaliação do Planalto, pode abrir espaço para o convencimento de parlamentares contrários à urgência.

A estratégia, no entanto, só deve ser ativada se houver sinais claros de que a urgência avançará em plenário. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), já pediu que ministros de centro intensifiquem o diálogo com suas bancadas para frear o avanço da proposta.

Expectativa para terça-feira

O tema deve dominar a próxima reunião de líderes da Câmara, marcada para terça-feira (16). Caberá ao presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidir se o PL da Anistia entrará ou não na pauta.

Entre cálculo político e o peso histórico

A movimentação em torno da anistia ultrapassa o campo das negociações partidárias. Em jogo está a memória de um dos momentos mais delicados da democracia brasileira: os ataques de 8 de janeiro e a tentativa de golpe. A cada voto contado e a cada articulação de bastidor, o país se pergunta se o Congresso caminhará para reforçar a responsabilidade de quem em nome de uma manifestação, atentou contra as instituições ou se cederá à pressão política para apagar cicatrizes ainda tão recentes.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação

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