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Governo do Rio tenta sensibilizar Moraes com lista de mortos e imagens de confronto

Audiência com o ministro do STF ocorre nesta segunda; estratégia de Castro busca demonstrar legalidade da megaoperação e apoio popular.

Na tentativa de amenizar a pressão sobre a megaoperação policial que deixou mais de 120 mortos nos complexos da Penha e do Alemão, o governo do Rio de Janeiro lançou uma ofensiva de comunicação antes da audiência com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), marcada para esta segunda-feira (3).

Nas 12 horas que antecederam o encontro, o governador Cláudio Castro (PL) divulgou imagens de drones e câmeras corporais que mostram confrontos entre policiais e criminosos do Comando Vermelho (CV). Segundo a assessoria do governo, o material evidencia “cenas de heroísmo” dos agentes de segurança. Em um dos vídeos, um policial é atingido e morre ao tentar resgatar um colega ferido.

Estratégia política e jurídica

A movimentação faz parte da estratégia de sensibilizar Moraes, que assumiu recentemente a relatoria da ADPF das Favelas, ação que impõe limites à letalidade policial no estado. No entorno de Castro, a avaliação é de que o ministro deve adotar uma postura firme diante do episódio, exigindo explicações detalhadas sobre o cumprimento das normas estabelecidas pelo Supremo.

Para reforçar a narrativa de que a operação seguiu a legalidade, o governo também divulgou, horas antes da audiência, uma lista com 115 mortos identificados. De acordo com o levantamento oficial, 97 tinham antecedentes criminais. Já os demais, segundo o governo, aparecem em imagens que sugerem ligação com o tráfico de drogas.

Apoio popular e tentativa de conter danos

O Palácio Guanabara também aposta no apoio popular à atuação das forças de segurança. Uma pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta segunda-feira, mostra que 59% dos fluminenses defendem a decretação de uma GLO (Garantia da Lei e da Ordem): sinal de que boa parte da população vê com simpatia medidas mais duras no combate ao crime.

Ao longo da semana, Castro tem repetido o discurso de que os policiais envolvidos na operação são “heróis que arriscam a vida pela população” e que o Estado não pode “baixar a cabeça para o crime organizado”.

Com a audiência desta segunda-feira, o STF deve cobrar transparência, responsabilização e cumprimento das decisões judiciais que limitam o uso da força nas comunidades. O encontro é visto como um dos momentos mais tensos da crise entre o governo fluminense e o Supremo desde o início da escalada de violência no Rio.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/CNN Brasil

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