Ideia é reforçar diálogo técnico e evitar escalada política antes do início das sanções em 1º de agosto.
Em meio à crescente tensão comercial com os Estados Unidos, o governo federal e representantes do setor produtivo brasileiro estudam enviar uma comitiva a Washington para tentar evitar que o tarifaço anunciado pelo ex-presidente Donald Trump contra produtos brasileiros entre em vigor já no dia 1º de agosto.
A missão, ainda em fase de articulação nos bastidores, envolveria integrantes do governo e empresários de setores estratégicos, com o objetivo de reforçar a interlocução com empresas americanas impactadas pelas medidas e abrir novos canais de diálogo com a Casa Branca.
Segundo apuração da CNN, a proposta está sendo tratada com cautela, mas pode ganhar corpo durante a reunião marcada para as 16h desta terça-feira (22) entre o vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, e o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban.
Na segunda-feira (21), o tema também foi debatido em encontro de Alckmin com representantes da área de mineração. Nesse caso, chegou a ser cogitada a organização de uma missão apenas com empresários, mas com aval institucional do governo federal: uma estratégia vista como alternativa para evitar que o embate ganhe contornos políticos ainda mais intensos.
Abordagem técnica e diplomática
O empresariado tem pressionado o Planalto para que adote uma linha moderada e técnica nas tratativas com os EUA. O foco imediato, segundo fontes ouvidas pela reportagem, é negociar o adiamento do início das tarifas e ganhar tempo para aprofundar os argumentos comerciais junto ao governo americano.
Nos bastidores, a percepção é de que uma reação inflamada pode apenas endurecer a postura de Trump; especialmente diante da aproximação das eleições presidenciais nos Estados Unidos, nas quais o ex-presidente republicano busca recuperar protagonismo com medidas nacionalistas.
A formação da comitiva, caso avance, representará um esforço conjunto para mostrar que o Brasil está disposto a negociar, sem abrir mão de princípios, mas evitando uma ruptura que possa gerar prejuízos bilionários ao comércio bilateral.
Texto: Daniela Castelo Branco/Com informações da CNN Brasil
Foto: Reprodução/CNN













