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Governo prepara anúncio de novo reajuste para professores ainda esta semana

Valor atual do piso de 2026 provocou reação da categoria por ficar abaixo da inflação; ministro Camilo Santana sinaliza correção imediata.

A indefinição sobre o reajuste do piso salarial dos professores tem deixado educadores em estado de expectativa nos últimos dias e pode chegar a um desfecho em breve. Nesta segunda-feira (19), o ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que o governo federal deve anunciar um novo percentual de aumento ainda nesta semana, em reunião com o presidente da República para tratar do tema.

O anúncio ocorre em meio ao forte descontentamento da categoria com o reajuste previsto atualmente para 2026, que representa apenas 0,37%: um acréscimo de R$ 18 no salário mensal, elevando o piso de R$ 4.867,77 para R$ 4.885,78. Essa correção, abaixo da inflação acumulada de 2025 (4,26%), foi considerada insuficiente por sindicatos e professores de todo o país.

Reuniões e articulações em Brasília

“Deve ter uma reunião essa semana sobre o reajuste dos professores com o presidente […] A gente quer corrigir isso para dar mais previsibilidade aos gestores estaduais. Fechamos um consenso semana passada e esperamos que essa semana a gente possa anunciar o novo percentual”, declarou Camilo Santana a jornalistas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem acompanhado de perto as negociações, segundo informou o ministro, que reafirmou o compromisso do governo em encontrar uma solução que responda às demandas dos profissionais da educação básica.

Na última semana, a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, reuniu-se com representantes de entidades sindicais para discutir ajustes no cálculo do piso. O encontro reforçou a mobilização do governo para ajustar a política de valorização salarial da categoria.

Medida Provisória em estudo

No início de janeiro, Camilo Santana já havia adiantado, em vídeo publicado no Instagram, que o governo estuda editar uma Medida Provisória (MP) para corrigir o piso salarial dos professores, com vigência a partir de janeiro de 2026. A MP, segundo ele, deve trazer uma fórmula de reajuste diferente da atual e, posteriormente, ser submetida à aprovação do Congresso Nacional.

O movimento de publicar uma MP ainda neste mês tem como objetivo dar mais segurança jurídica aos reajustes e reduzir o impacto das decisões orçamentárias municipais e estaduais, que dependem da definição clara do piso nacional para organizar seus calendários de pagamento.

Repercussão entre educadores

O valor inicial, que representava menos de meio por cento de aumento, provocou reações imediatas. Professores, sindicatos e especialistas em educação criticaram o reajuste como “significativamente inferior” à inflação, ressaltando que a defasagem ameaça a valorização da carreira e o poder de compra da categoria.

Lideranças sindicais aguardam agora um anúncio oficial que represente não apenas um número maior, mas também uma sinalização de valorização da educação pública como um todo.

À medida que o governo federal caminha para uma definição, cresce também a expectativa de gestores, profissionais e estudantes: todos impactados pela política de remuneração dos professores. Se confirmada ainda esta semana, a correção do piso pode trazer um alívio num momento em que a educação é colocada no centro do debate público, lembrando que, por trás de percentuais, estão vidas, casas e sonhos que dependem de respeito e justiça salarial.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Luís Fortes/MEC

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