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Greenwald denuncia “Estado paralelo de vigilância” no TSE e ausência de Moraes revolta Senado

Jornalista apresenta áudios e documentos que indicam monitoramento ilegal sob comando do ministro; Senado cogita CPI e até impeachment

Em um depoimento explosivo à Comissão de Segurança Pública do Senado, nesta quarta-feira (30), o jornalista Glenn Greenwald apresentou documentos, áudios e denúncias que indicariam a existência de um “sistema paralelo de vigilância” operado a partir do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), supostamente sob o comando do ministro Alexandre de Moraes.

O magistrado, convidado a prestar esclarecimentos, não compareceu — atitude que gerou forte reação entre senadores e intensificou o debate sobre limites institucionais e abusos de poder.

Durante mais de três horas de depoimento, Greenwald detalhou como o suposto esquema extrapolava as atribuições do TSE, monitorando ilegalmente jornalistas, políticos e até manifestações realizadas no exterior. “Não é apenas censura. É vigilância clandestina. Um Estado paralelo de vigilância”, afirmou o jornalista.

Segundo ele, assessores do tribunal tinham ciência das ilegalidades. “Se isso vazar, a gente está morto”, diz um dos trechos de áudio apresentados, citando o desconforto de servidores com a operação.

Casos emblemáticos: protesto em Nova York e perseguição à imprensa

Um dos exemplos mais chocantes, segundo Greenwald, foi o monitoramento de uma manifestação pacífica contra o STF realizada em Nova York. “Nenhuma conexão com o processo eleitoral. Mesmo assim, a estrutura do TSE foi usada para investigar cidadãos fora do país”, denunciou.

O jornalista também apontou perseguição a membros da imprensa crítica ao Judiciário. “Bastava uma reportagem incômoda para ser tratada como crime. Isso é típico de regimes autoritários, não de democracias”, afirmou.

Ausência de Moraes causa indignação no Senado

A recusa de Alexandre de Moraes em comparecer à comissão revoltou parlamentares. “Ele age como um faraó moderno, um Nero do século XXI”, disparou o senador Magno Malta (PL-ES). Eduardo Girão (Novo-CE) considerou o gesto “um acinte” e disse que Moraes representa “o exato problema que o Senado tenta debater”.

O ex-assessor do TSE Eduardo Tagliaferro, peça-chave nas denúncias, também faltou à sessão alegando ameaças de morte. Pediu para depor virtualmente em outra data.

Parcialidade e abuso de poder: STF sob pressão

Senadores também apontaram a parcialidade de Moraes, que atua como julgador, investigador e acusador no mesmo processo. Flávio Bolsonaro comparou a situação ao caso Moro, na Lava Jato, e lembrou áudios em que Moraes teria incentivado subordinados a “usar a criatividade” para incriminar alvos.

“O Senado precisa funcionar como freio a esse tipo de poder concentrado. Já há motivos suficientes para um processo de impeachment”, disse Magno Malta.

Impacto institucional e repercussão internacional

Greenwald alertou que o caso compromete seriamente o Estado de Direito: “Quando um ministro usa sua função para monitorar, censurar e perseguir fora dos limites legais, a democracia está em risco.”

A denúncia já repercute fora do país. Organizações internacionais de direitos humanos e veículos estrangeiros acompanham com atenção o desdobramento do caso.

Próximos passos: CPI e relatório final

A comissão do Senado prepara um relatório com base nas denúncias e deve convocar novas testemunhas. Senadores discutem a criação de uma CPI para investigar a fundo o suposto esquema de vigilância. A pressão por ações concretas aumenta — inclusive com a possibilidade de pedidos formais de impeachment.

Por: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação

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