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Haddad pressiona Senado por avanço do novo IR e busca “ultimato” em reunião com Renan Calheiros

Ministro da Fazenda quer fechar texto que amplia isenção para quem ganha até R$ 5 mil; governo também prepara mudança em pacote fiscal que pode ser votado ainda hoje.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem nesta terça-feira (28) um encontro decisivo com o senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator do projeto que amplia a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil. Segundo o próprio ministro, o objetivo da reunião é dar um “ultimato” no texto e encaminhar a proposta para votação no Senado.

“Vamos ver se a gente dá o ultimato no texto para levar a votação”, afirmou Haddad a jornalistas, demonstrando pressa em garantir um avanço que tem peso político e fiscal às vésperas do fechamento do Orçamento de 2026.

Isenção ampliada e impacto fiscal

A proposta já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e está parada no Senado à espera do parecer de Renan. O projeto amplia a faixa de isenção do IR, atualmente em R$ 2.824, para R$ 5 mil, o que pode beneficiar milhões de trabalhadores e pressionar as contas públicas com uma redução na arrecadação federal.
O governo aposta em ajustes fiscais e novas fontes de receita para compensar o impacto da medida, considerada uma das principais promessas de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Pacote fiscal muda de rumo

Além da discussão sobre o IR, Haddad confirmou que parte significativa da medida provisória com alternativas ao aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) será migrada para outro projeto de lei (PL): o que trata da regularização de valores de bens móveis e imóveis de pessoas físicas, relatado pelo deputado Juscelino Filho (União Brasil-MA).

Com isso, o governo deve recuar da tentativa de incluir as medidas fiscais no PL do Metanol, cuja votação estava prevista para esta semana. O texto de Juscelino já está na pauta do dia da Câmara, o que pode acelerar a tramitação das medidas consideradas prioritárias pelo Ministério da Fazenda.

“O presidente Hugo [Motta] entende que, por pertinência temática, o projeto do deputado Juscelino fosse o mais conveniente. Como para nós o que importa é votar, deixamos ao critério dele”, disse Haddad. “Esse projeto responde por 60% do que precisamos resolver até o fim do ano”, completou o ministro.

Pressão por resultados

Com o tempo apertado e o cenário político dividido, Haddad tenta equilibrar a pauta fiscal com as demandas sociais, garantindo que o governo mantenha sua credibilidade diante do mercado e cumpra promessas voltadas à classe trabalhadora.

Enquanto a equipe econômica busca destravar votações estratégicas, o país observa entre expectativas e incertezas, o esforço para ajustar as contas sem travar o crescimento. O “ultimato” desta terça pode definir não só o destino do novo Imposto de Renda, mas também o tom da política econômica que marcará o próximo ano.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Revista Oeste

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