Presidente da Casa reúne líderes partidários para definir agenda do primeiro semestre sob pressão do calendário político.
Com o relógio político acelerado pelo ano eleitoral, a Câmara dos Deputados entra em modo de articulação intensa. Nesta quarta-feira (28), o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), reúne líderes de bancada em um encontro reservado, na residência oficial da presidência, para tentar construir consensos e definir quais pautas terão prioridade no primeiro semestre legislativo.
A movimentação ocorre a poucos dias da retomada oficial dos trabalhos no Congresso, marcada para 2 de fevereiro. Nos bastidores, a avaliação é de que o espaço para votações polêmicas será cada vez mais estreito, exigindo escolhas estratégicas e negociações delicadas entre governo e oposição.
Segurança pública e acordo internacional no centro da pauta
Entre os temas apontados como prioritários por Hugo Motta estão projetos ligados à segurança pública, com destaque para o chamado PL Antifacção, que trata do combate às organizações criminosas. A proposta é vista como uma tentativa de dar resposta a uma das maiores preocupações da população atualmente.
Outro ponto considerado estratégico é a ratificação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, tratado que se arrasta há anos e que, para parte do Congresso, pode representar avanços econômicos e diplomáticos relevantes para o país.
Oposição pressiona por CPI e pautas travadas
Do lado da oposição, a reunião deve ser usada para reforçar um pacote de reivindicações. Uma das principais é a pressão pela instalação da CPI do Banco Master, que ganhou força nas últimas semanas e tem unificado parlamentares de diferentes espectros ideológicos.
Além disso, líderes oposicionistas devem pedir que Hugo Motta interceda junto ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para destravar matérias de interesse do grupo. Entre elas está a tentativa de derrubar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto que trata da dosimetria das penas, medida que poderia reduzir condenações impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a outros réus envolvidos na trama golpista.
PT aposta em agenda social e projetos do governo
Já o Partido dos Trabalhadores deve aproveitar o encontro para defender pautas alinhadas à agenda social do governo. Uma das principais é a Proposta de Emenda à Constituição que acaba com a escala de trabalho 6×1, tema que mobiliza debates sobre direitos trabalhistas e qualidade de vida.
O PT também deve pressionar pela votação da medida provisória do Gás, considerada estratégica pelo Planalto e que perde validade em 11 de fevereiro. A proposta é vista como essencial para a política energética do governo e para a redução de custos no setor.
Em um Congresso cada vez mais fragmentado e sob forte influência do calendário eleitoral, a reunião comandada por Hugo Motta se transforma em um teste de liderança e articulação. Mais do que definir prioridades, o encontro revela o desafio de equilibrar interesses divergentes em um momento em que cada decisão carrega peso político e impacto direto no rumo das eleições.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação













