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Hugo rebate Haddad: cortar emendas é ir contra o povo

Presidente da Câmara reage à ameaça de corte bilionário e diz que recursos parlamentares garantem serviços essenciais em todo o país.

Em meio à tensão entre o Executivo e o Legislativo após a derrubada da MP do IOF, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), saiu em defesa do Parlamento e foi direto: “cortar emendas é ir contra o interesse da população”. A declaração foi feita em entrevista à CNN Brasil, em resposta ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que ameaçou reduzir em até R$ 10 bilhões as emendas parlamentares diante da perda de arrecadação prevista com a medida provisória.

“As emendas fortalecem o país”, diz Hugo

Sem citar diretamente o ministro ou o governo, Hugo criticou o que chamou de “discurso pejorativo” sobre o repasse de recursos por meio das emendas. Segundo ele, esses investimentos são fundamentais para levar obras e serviços do governo federal aos municípios, especialmente nas áreas de saúde, educação e assistência social.

“Os deputados conhecem as dificuldades de cada cidade. Qualquer agente público que mantenha esse discurso presta um grande desserviço ao país. Cortar pagamentos de emendas é decidir contra a população, que deixa de receber os benefícios do Executivo chegando na ponta”, afirmou.

Clima de tensão entre Planalto e Congresso

O episódio aprofunda o desgaste entre o Planalto e sua base parlamentar, que já vinha demonstrando insatisfação desde a derrubada da MP 1303, responsável por novas regras de arrecadação do IOF sobre apostas e aplicações financeiras. A decisão da Câmara de retirar a proposta de pauta gerou uma frustração de R$ 17 bilhões nas receitas do governo.

Nos bastidores, Hugo Motta deve procurar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tentar amenizar o clima e abrir um novo canal de diálogo. Ele pretende argumentar que discursos de confronto, especialmente vindos de ministros, soam como tentativas de chantagem e dificultam a construção de pontes com o Legislativo.

Um impasse com efeitos reais

O impasse não é apenas político: afeta diretamente a execução de obras, repasses à saúde e o andamento de programas sociais em municípios que dependem desses recursos. A tensão entre Planalto e Congresso acende um alerta sobre a governabilidade, em um momento em que o país busca estabilidade fiscal sem comprometer serviços essenciais.

No fim, o embate entre Haddad e Hugo Motta é mais do que uma disputa de discursos: é um lembrete de que, no tabuleiro político, as decisões em Brasília reverberam nas pequenas cidades, onde cada emenda cortada pode significar um posto de saúde sem recursos, uma escola sem reforma ou uma comunidade sem assistência.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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