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Hugo reconhece ano turbulento com o Planalto, mas sinaliza parceria e diálogo em 2026

Presidente da Câmara admite embates entre os Poderes, elogia articulação de Lula e diz que Congresso ajudou governo a encerrar o ano em melhor cenário.

Depois de um ano marcado por tensões, negociações duras e embates públicos entre os Poderes, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), fez um discurso que soou como gesto de distensão e aposta no diálogo. Ao reconhecer as dificuldades enfrentadas em 2025, ele deixou claro que, apesar do caminho turbulento, o Congresso não virou as costas ao governo e prometeu uma relação mais colaborativa em 2026.

A declaração foi feita nesta terça-feira (23), durante a cerimônia de posse do novo ministro do Turismo, Gustavo Feliciano (União Brasil), no Palácio do Planalto. Diante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de integrantes do governo, Hugo fez um balanço do ano legislativo e ressaltou o papel do Parlamento na aprovação de matérias consideradas estratégicas para o Executivo.

Ano difícil, mas com entregas ao governo

“Não tivemos um ano fácil. Foi um ano de muitos desafios, um ano de embates, mas um ano em que o Congresso Nacional não faltou ao governo”, afirmou Hugo Motta. Segundo ele, as votações aprovadas ao longo de 2025 permitiram que o Planalto encerrasse o ano em uma situação mais favorável do que aquela encontrada no início do mandato.

O presidente da Câmara destacou que, apesar das divergências, houve compromisso institucional. “Tivemos aprovações importantes que dão ao senhor a certeza de que o governo encerra o ano muito melhor do que iniciou”, completou, em tom conciliador.

Sinalização de diálogo para 2026

Ao se dirigir diretamente a Lula, Hugo reforçou que a relação entre Câmara e Planalto deve seguir baseada em diálogo e franqueza. “Entramos em 2026 na certeza de que essa nossa parceria, esse nosso diálogo, continuará sendo de maneira franca, verdadeira, transparente e colaborativa”, disse, após um segundo semestre marcado por ruídos entre os Poderes.

Nos bastidores, segundo apuração da CNN Brasil, o próprio presidente Lula tem sinalizado que não deseja prolongar conflitos com o Legislativo. A orientação no Planalto é reduzir desgastes políticos e fortalecer pontes com a Câmara dos Deputados.

Posse no Turismo e gesto político

A cerimônia de posse de Gustavo Feliciano também teve forte simbolismo político. O novo ministro é paraibano e aliado de Hugo Motta, e sua indicação foi tratada pelo presidente da Câmara como uma demonstração de “sensibilidade política” por parte de Lula.

“A decisão de atender à indicação do nome de Gustavo Feliciano demonstra a capacidade do presidente de agregar e de trazer ao ministério um jovem com currículo e dedicação à área do turismo”, afirmou Hugo durante o evento, que reuniu ministros e lideranças do governo.

Em seu discurso, Feliciano agradeceu a confiança e destacou ações do governo federal na Paraíba. “Esse é um governo que tem um lado: o lado do povo brasileiro. O turismo tem que ser do povo, pelo povo e para o povo”, declarou.

Mais do que um discurso protocolar, a cerimônia escancarou um movimento de reaproximação política. Em meio a um cenário ainda instável, a fala de Hugo Motta soou como um recado claro: o diálogo não apaga os conflitos do passado, mas pode redesenhar o caminho institucional que se abre para 2026.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados

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