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Incêndio em Hong Kong já dura mais de 24 horas e deixa dezenas de mortos e centenas de desaparecidos

Tragédia atinge complexo residencial em reforma; uso de andaimes de bambu e materiais inflamáveis está no centro das investigações.

O cenário em Hong Kong é de profunda devastação. O incêndio que tomou um complexo residencial na quarta-feira (26) segue ativo em alguns pontos mais de 24 horas depois e já é considerado o mais mortal na cidade em sete décadas. Entre fumaça densa, estruturas retorcidas e esperança cada vez mais frágil, autoridades confirmam ao menos 65 mortos, 123 feridos e 279 desaparecidos: números que ainda podem aumentar à medida que bombeiros conseguem acessar áreas antes inalcançáveis.

O fogo começou no Wang Cheong House, um edifício de 32 andares em reforma, parte do complexo Wang Fuk Court. Quando as primeiras equipes chegaram, andaimes e redes de proteção já ardiam como tochas, acelerando a propagação das chamas para outros blocos. A cena rapidamente se transformou em múltiplos incêndios simultâneos, com moradores presos em apartamentos e bombeiros impedidos de avançar devido ao calor extremo e à queda contínua de destroços.

O que se sabe sobre a origem do incêndio


O chamado inicial aos bombeiros ocorreu pouco antes das 15h no horário local. O fogo tomou o primeiro prédio em minutos e avançou para sete dos oito blocos do complexo. Redes plásticas, lonas e placas de poliestireno: material altamente inflamável, foram encontradas bloqueando janelas, o que agravou a situação e se tornou uma linha central da investigação.

As autoridades já prenderam três homens por suspeita de “negligência grave”. Segundo o Corpo de Bombeiros, vários materiais utilizados na obra não atendiam aos padrões de segurança. As placas de poliestireno, em especial, teriam acelerado a propagação do fogo em velocidade impressionante.

Moradores ficaram presos e resgate foi dificultado


Apesar do esforço de mais de 800 bombeiros e 57 ambulâncias, muitos moradores ficaram impossibilitados de sair. Segundo autoridades, os socorristas sabiam onde algumas pessoas estavam, mas simplesmente não conseguiam chegar até elas.

O incêndio foi considerado “basicamente sob controle”, mas focos isolados continuam queimando, indicando que o trabalho de rescaldo e busca ainda está longe do fim.

Uso de andaimes de bambu entra em debate


A tragédia reacendeu questionamentos sobre o tradicional uso de andaimes de bambu em Hong Kong, uma técnica secular ainda presente em reformas e construções modernas. Especialistas alertam que, apesar de baratos e flexíveis, esses andaimes são inflamáveis e podem contribuir para tragédias como a atual. O governo anunciou uma inspeção completa e uma nova discussão sobre a migração para andaimes metálicos.

Desalojados, desespero e buscas por respostas


Cerca de 500 pessoas foram encaminhadas a nove centros de emergência. Centenas provavelmente estão desabrigadas em uma cidade já marcada pela escassez de moradias. O governo local anunciou auxílio financeiro de HK$ 10 mil (cerca de R$ 6.800) por família afetada e a criação de um fundo de HK$ 300 milhões para assistência.

Relatos de sobreviventes revelam terror e impotência. Moradores ouviram gritos, viram fumaça sair pelas janelas e questionam por que a evacuação dos blocos vizinhos não foi feita imediatamente. Muitos ainda não sabem se familiares, amigos ou vizinhos sobreviveram.

Pressão sobre autoridades e impacto político


O incêndio ocorre em um momento sensível para Hong Kong, que vive sob maior controle de Pequim desde 2019. A tragédia deve aumentar a pressão sobre o governo local e chinês, tanto por falhas de segurança quanto pela demora na evacuação. O presidente Xi Jinping enviou condolências e pediu “todos os esforços possíveis” para reduzir o número de vítimas.

Um trauma coletivo difícil de mensurar


A imagem dos prédios queimando por horas, enquanto moradores observam à distância sem saber o destino dos desaparecidos, deixa uma marca dolorosa em Hong Kong. Uma cidade que sempre se orgulhou de sua eficiência e segurança agora encara sua pior tragédia desde a Segunda Guerra Mundial. Em meio à fumaça, ao luto e às perguntas que ainda não têm resposta, permanece a sensação de que este incêndio mudou, para sempre, a história de uma das metrópoles mais densas e resilientes do mundo.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/CNN Brasil

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