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Inelegibilidade de Bolsonaro ficará para outro momento, admite líder do PL

Sóstenes Cavalcante confirma que bolsonaristas aceitaram anistia “light” para garantir avanço do projeto no Congresso.

A expectativa de uma anistia ampla, geral e irrestrita para Jair Bolsonaro (PL) perdeu força no Congresso. O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), reconheceu que a reversão da inelegibilidade do ex-presidente não fará parte do texto que será debatido pelos parlamentares.

A estratégia do PL

Segundo Sóstenes, a decisão foi tomada com aval do próprio Bolsonaro. “O presidente Bolsonaro me autorizou a retirar a elegibilidade do projeto. Esse tema será discutido em outro momento”, afirmou o parlamentar à CNN. A aposta dos aliados é tratar do assunto quando o ministro Kássio Nunes Marques assumir a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em junho.

Com isso, a bancada bolsonarista se alinhou a uma versão mais branda da proposta, apelidada de “anistia light”, que mira na redução das penas impostas aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro, em vez de perdoar totalmente os crimes.

Urgência aprovada

Na noite de quarta-feira (17), a Câmara aprovou o regime de urgência para o projeto de autoria do deputado Marcelo Crivella (Republicanos-PB). O texto prevê anistia aos participantes de “manifestações reivindicatórias de motivação política”. Com a urgência, a proposta pode ser votada diretamente em plenário, sem passar pelas comissões temáticas.

Ainda assim, como lembrou Sóstenes, a discussão do mérito caberá ao relator a ser designado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Olhos voltados para 2026

O recuo estratégico revela uma prioridade: garantir a votação de um projeto que possa avançar no curto prazo, mesmo que não contemple todas as demandas do bolsonarismo. Ao deixar a inelegibilidade para o futuro, aliados de Bolsonaro tentam ganhar tempo e manter a esperança de que a Justiça Eleitoral reavalie sua situação antes da disputa presidencial de 2026.

A questão, no entanto, permanece em aberto e carrega um peso político simbólico: o retorno ou não de Bolsonaro às urnas pode redefinir o mapa da política brasileira. Até lá, a estratégia é avançar com passos calculados, mesmo que isso signifique ceder agora para sonhar mais alto depois.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Bnews

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