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Influenciador Hytalo Santos é condenado na Paraíba; filha adotiva fala em racismo e homofobia

Defesa confirma sentença por exploração de conteúdo envolvendo adolescentes e afirma que vai recorrer; processo corre em segredo de Justiça.

A condenação do influenciador Hytalo Santos reacendeu um debate delicado que mistura Justiça, redes sociais e acusações graves. No último sábado (21), o Tribunal de Justiça da Paraíba proferiu sentença em primeira instância contra ele e o marido, em um processo que tramita sob segredo de Justiça. No domingo (22), a própria defesa confirmou a decisão.

Segundo a sentença, Hytalo foi condenado a 11 anos e 4 meses de prisão por exploração de conteúdo pornográfico envolvendo adolescentes. O marido dele, Israel Vicente, conhecido como Euro, recebeu pena de 8 anos e 10 meses. Ambos também foram condenados ao pagamento de R$ 500 mil por danos morais.

Decisão judicial e indenização

A sentença foi proferida pelo juiz Antonio Rudimacy de Sousa, da 2ª Vara Mista de Bayeux, vinculada ao Tribunal de Justiça da Paraíba. O magistrado entendeu que o valor da indenização considera a capacidade econômica dos réus e a extensão do dano.

Na decisão, também foi mencionado que os danos morais coletivos devem ser discutidos em eventual ação a ser movida pelo Ministério Público contra plataformas digitais, em defesa de direitos metaindividuais eventualmente atingidos.

Hytalo e Israel permanecem presos preventivamente em regime fechado.

Filha adotiva fala em preconceito

Após a divulgação da condenação, a influenciadora Kamyla Maria, conhecida como Kamylinha, filha adotiva de Hytalo, utilizou as redes sociais para criticar a decisão. Segundo ela, o caso estaria marcado por racismo e homofobia.

Em publicação, afirmou que o Brasil é um país injusto e que pessoas negras e LGBTQIA+ enfrentam preconceito estrutural. Disse ainda acreditar que a Justiça não fechará os olhos para o que considera uma injustiça.

A defesa de Hytalo também divulgou nota oficial criticando a sentença. No comunicado, os advogados afirmam que apresentaram provas e testemunhos que, segundo eles, afastariam a tese acusatória. A nota sustenta que a decisão revela “fragilidade jurídica” e traços de preconceito.

Mesmo com a condenação em primeira instância, está mantido para esta terça-feira (24) o julgamento de um habeas corpus em favor do influenciador.

O caso e a repercussão nas redes

Natural da Paraíba, Hytalo José Santos Silva ganhou notoriedade nas redes sociais ao produzir conteúdos em que reunia jovens em uma casa, a que chamava de “mansão”, mostrando a rotina do grupo. Ele se referia a muitos deles como “crias”, “filhas” e “genros”. Somados, seus perfis ultrapassavam milhões de seguidores, inclusive no YouTube.

O influenciador foi preso em agosto de 2025, na cidade de Carapicuíba, na Grande São Paulo, após denúncias que ganharam repercussão nacional.

A condenação, ainda sujeita a recursos, coloca novamente em evidência o impacto das redes sociais na vida de adolescentes e a responsabilidade de quem detém grande influência digital. Entre acusações graves, alegações de preconceito e a dor exposta publicamente, o caso segue dividindo opiniões e lembrando que, por trás dos números e seguidores, existem vidas marcadas por decisões que terão efeitos duradouros.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Redes Sociais

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