No quinto dia de confronto no Oriente Médio, conselheiro de Teerã afirma que país não confia em Washington; funeral de Ali Khamenei começa nesta quarta e deve durar três dias.
O Oriente Médio atravessa mais um momento de tensão extrema; e os sinais vindos de Teerã indicam que o conflito pode se prolongar. No quinto dia de guerra, o governo iraniano descartou qualquer possibilidade de negociação com os Estados Unidos e afirmou estar preparado para sustentar o confronto “pelo tempo que desejar”.
A declaração foi feita por Mohammad Mokhbar, conselheiro do falecido líder supremo Ali Khamenei, em entrevista à televisão estatal iraniana nesta quarta-feira (4).
“Não temos confiança nos americanos”
De forma direta, Mokhbar afirmou que o Irã não vê base para diálogo com Washington.
“Não temos nenhuma confiança nos americanos e não temos nenhuma base para negociar com eles. Podemos continuar a guerra pelo tempo que desejarmos”, declarou.
A fala reforça a postura de endurecimento do regime iraniano após os ataques atribuídos a forças de Israel e dos Estados Unidos, que culminaram na morte de Khamenei no último sábado.
O discurso também sinaliza que Teerã pretende responder de forma estratégica e prolongada, ampliando a instabilidade regional e elevando o risco de envolvimento direto de outras potências.
Funeral de Estado e clima de mobilização
Enquanto as declarações endurecem o tom político, o país se prepara para o funeral de Estado de Ali Khamenei, que governou o Irã por quase quatro décadas. Segundo a agência oficial Irna, as cerimônias começam na noite desta quarta-feira e devem durar três dias.
A partir das 22h no horário local, fiéis poderão prestar homenagens na Grande Mesquita Imã Khomeini, em Teerã. O líder será enterrado na cidade sagrada de Mashhad, no nordeste do país, onde nasceu.
A morte de Khamenei representa um divisor de águas na política iraniana. Além do impacto simbólico, abre espaço para rearranjos internos no poder e pode influenciar a condução da guerra nos próximos dias.
Conflito sem horizonte imediato de trégua
O endurecimento do discurso iraniano ocorre em meio a um cenário de ataques e contra-ataques, com risco de expansão do conflito para além das fronteiras diretas dos envolvidos. A negativa explícita de negociação com os Estados Unidos indica que, ao menos por ora, não há sinais concretos de cessar-fogo ou mediação diplomática.
Em momentos como este, a retórica pesa tanto quanto os mísseis. E quando líderes falam em guerra “pelo tempo que desejarem”, o mundo inteiro sente o impacto; nos mercados, na geopolítica e, sobretudo, na vida de milhões de civis que vivem sob o som constante das sirenes.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/AFP













