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Israel mata 104 pessoas em Gaza em meio a cessar-fogo mediado por Trump

Ataques deixam dezenas de crianças entre as vítimas; hospitais relatam situação “catastrófica” e esforço de paz é ameaçado.

O silêncio que se esperava de um cessar-fogo durou poucas horas. Na noite de terça-feira (28), ataques israelenses em Gaza mataram pelo menos 104 pessoas, incluindo 46 crianças e 20 mulheres, segundo autoridades locais. O episódio marca o dia mais mortal desde que o acordo mediado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, entrou em vigor, deixando hospitais superlotados e equipes médicas sem suprimentos básicos para salvar vidas.

Retomada da violência após acusações mútuas

Israel afirmou que os ataques foram uma retaliação à morte de um soldado e à suposta encenação de descoberta de um refém pelo Hamas. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu instruiu o exército a realizar “ataques imediatos e poderosos” no enclave, enquanto os militares israelenses comunicaram que vão retomar o cessar-fogo, mas continuarão a responder “com força a qualquer violação”.

O Hamas, por sua vez, denunciou os bombardeios como “criminosos”, negou ataques a soldados israelenses e reafirmou compromisso com a trégua. Entre as vítimas palestinas, há crianças e mulheres, e os hospitais de Gaza enfrentam uma crise humanitária intensa. O diretor do Hospital Al-Shifa descreveu a situação como “catastrófica”, sem medicamentos ou suprimentos médicos suficientes para tratar os feridos.

Acusações de encenação e controvérsias

Israel divulgou um vídeo que, segundo o exército, mostraria o Hamas encenando a descoberta de corpos na presença da Cruz Vermelha. A filmagem, que não pôde ser verificada de forma independente, gerou críticas da organização humanitária, que afirmou não ter conhecimento prévio do procedimento e destacou que a situação em Gaza é “extremamente desafiadora”.

O Hamas anunciou que iria adiar a entrega de restos mortais de reféns devido às violações israelenses do cessar-fogo, alertando que qualquer escalada prejudicaria o trabalho de recuperação de corpos.

Cenário de destruição e números alarmantes

Desde o início do conflito em outubro de 2023, mais de 68 mil palestinos foram mortos e cerca de 170 mil feridos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. Milhares ainda estariam sob escombros. Israel lançou sua ofensiva após ataques terroristas que mataram mais de 1.200 pessoas e levaram 251 reféns para Gaza. O cessar-fogo assinado em outubro de 2025 previa condições como libertação de reféns vivos, devolução de corpos e retirada parcial de tropas israelenses, mas a situação mostra que a tensão ainda é extrema.

O custo humano de um conflito sem fim

Enquanto líderes discutem acordos e estratégias militares, famílias continuam a perder filhos, irmãos e pais em segundos que poderiam ser decisivos. Cada corpo, cada ferido, cada hospital sobrecarregado é um lembrete cruel de que, por trás das negociações diplomáticas, a vida humana permanece em perigo. Gaza segue sendo um território onde a esperança se mistura à tragédia, e onde a paz, mesmo mediada por potências internacionais, ainda parece distante.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Reuters

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