Deputada do PCdoB diz que processo fortalece a democracia e deve dificultar tentativa de anistia no Congresso
A manhã desta terça-feira (2) começou com olhos voltados ao Supremo Tribunal Federal. Entre os presentes na abertura do julgamento de Jair Bolsonaro e aliados, a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) classificou o processo como “uma lição para o mundo”. Para ela, o Brasil mostra maturidade institucional ao responder judicialmente a uma tentativa de golpe de Estado.
“Democracia reagiu”
Em entrevista, Jandira destacou que outros países, como os Estados Unidos, não contam sequer com justiça eleitoral estruturada. “Um condenado pode ser candidato a Presidente da República. Trump foi condenado, foi candidato e ganhou a eleição. E hoje ameaça o Brasil com o apoio de bolsonaristas”, afirmou.
Segundo a parlamentar, o Brasil viveu o risco de um “golpe irreversível”, mas instituições e sociedade reagiram. “Pela primeira vez, o Estado brasileiro consegue responder a uma tentativa de golpe no Brasil. Isso é histórico”, disse.
Reflexos no Congresso
A deputada também apontou que o julgamento deve ter efeitos imediatos na Câmara dos Deputados. Para ela, será difícil sustentar qualquer proposta de anistia caso o STF decida pela condenação dos réus.
“Tentar votar uma anistia pós-condenação do Supremo Tribunal Federal, que eu espero que seja por unanimidade, vai ser difícil que essa pauta vingue dentro do Congresso Nacional”, avaliou.
O julgamento e os réus
O processo envolve Jair Bolsonaro e mais sete aliados: Alexandre Ramagem, Almir Garnier, Anderson Torres, Augusto Heleno, Mauro Cid, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto.
Eles respondem por crimes como organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e deterioração de patrimônio tombado. A única exceção é Ramagem, cuja ação penal foi parcialmente suspensa pela Câmara dos Deputados em maio.
Uma virada de página
Para Jandira Feghali, o julgamento é mais que um processo judicial: é um marco político e social. “A democracia brasileira persistiu, o povo reagiu e hoje temos uma virada na história.”
Para ela, o simbolismo vai além das paredes do STF: trata-se de mostrar ao mundo que o Brasil não escolheu a omissão nem o esquecimento. Escolheu a memória, a coragem e a justiça como caminho de reconstrução democrática.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/CNN













