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Janja desiste de desfilar em homenagem a Lula e cita risco de perseguição política

Primeira-dama divulgou nota explicando decisão; participação gerava desconforto entre aliados do governo.

Em meio à crescente tensão política em torno do desfile da Acadêmicos de Niterói, a primeira-dama Rosângela da Silva decidiu não atravessar a avenida. A ausência, que já era comentada nos bastidores, foi confirmada nesta segunda-feira (16) por meio de nota oficial, na qual ela afirma ter optado por não participar diante da “possibilidade de perseguição” à escola de samba e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No comunicado, Janja destacou que havia segurança jurídica para que desfilasse, mas ponderou que o momento exigia cautela. Segundo o texto, ela preferiu permanecer ao lado do presidente ao invés de integrar a apresentação na avenida, para evitar ampliar a polêmica em torno da homenagem.

Clima de desgaste e orientação do Planalto

A decisão ocorreu em meio a relatos de desconforto dentro da própria base governista. A participação da primeira-dama vinha sendo vista por aliados como um fator que poderia intensificar o desgaste político já provocado pelo enredo da escola.

Antes mesmo do desfile, líderes e congressistas ouvidos pela imprensa avaliavam que a presença de Janja poderia alimentar questionamentos sobre eventual promoção pessoal ou campanha antecipada. Diante desse cenário, o Palácio do Planalto orientou ministros a não comparecerem ao evento, sob a justificativa de evitar qualquer interpretação de desvio de finalidade.

Decisões judiciais e embate político

O desfile da Acadêmicos de Niterói, que abriu a programação do Grupo Especial no Rio de Janeiro, chegou a ser alvo de questionamentos na Justiça. O Tribunal Superior Eleitoral rejeitou, por unanimidade, pedido do Partido Novo para barrar a apresentação sob acusação de propaganda eleitoral antecipada e abuso de poder. O Tribunal Regional Federal da 2ª Região também negou solicitação semelhante.

Na nota, Janja elogiou a coragem da escola ao manter o enredo e classificou a noite como uma celebração da cultura brasileira e do desfile das escolas de samba.

A decisão de recuar revela o tamanho da sensibilidade que envolve cada gesto público em tempos de polarização. No Brasil atual, até o carnaval: símbolo máximo de festa e expressão cultural, se transforma em campo de disputa política. E, nesse ambiente, escolhas pessoais passam a carregar peso institucional.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Estadão Conteúdo

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