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Julgamento de Bolsonaro é chance histórica de responsabilizar militares e ex-presidente, diz deputado

Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) acompanha início da ação penal no STF e destaca importância de responsabilização para fortalecer a democracia brasileira.

O início do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros sete réus do chamado “núcleo 1” no Supremo Tribunal Federal (STF) é visto por especialistas e parlamentares como um momento histórico para o país. Para o deputado federal Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ), acompanhar presencialmente o processo nesta terça-feira (2) é a oportunidade de responsabilizar não apenas o ex-presidente, mas também militares que, segundo ele, se envolveram na trama golpista.

Chance histórica de responsabilização

“É um dia histórico para nosso país. Um país marcado por impunidade. Até hoje não responsabilizamos aqueles que organizaram a ditadura militar. Outros países da América Latina responsabilizaram torturadores como forma de proteção da democracia. O Brasil não fez isso”, declarou Vieira.

O deputado relembrou sua participação na CPMI do 8 de janeiro e afirmou que os documentos analisados confirmam que houve, sim, uma tentativa de golpe de Estado no país. “Não é sensacionalismo, não é exagero. É factual”, reforçou. Vieira disse ainda que pretende acompanhar todas as sessões do julgamento, destacando a relevância de cada decisão da Primeira Turma para consolidar a democracia.

Expectativa de condenação e rejeição à anistia

O parlamentar acredita que Bolsonaro e os demais réus devem ser condenados. Ele também criticou projetos de anistia que tramita no Congresso, afirmando que “eles querem a anistia desde sempre, é um atestado de culpa”. Para Vieira, é crucial que o julgamento ocorra sem interferências e que as instituições exerçam seu papel de forma plena.

Quem são os réus do núcleo 1

Além de Jair Bolsonaro, fazem parte deste núcleo:

  • Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-presidente da Abin;
  • Almir Garnier, almirante de esquadra que comandou a Marinha no governo Bolsonaro;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça;
  • Augusto Heleno, ex-ministro do GSI;
  • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente;
  • Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa;
  • Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil, candidato a vice-presidente em 2022.

O julgamento segue com sessões extraordinárias nos dias 3, 9, 10 e 12 de setembro, com expectativa de grande repercussão política e social. Vieira ressalta que, mais do que uma decisão sobre indivíduos, o processo representa a chance de reforçar a democracia e enviar uma mensagem de que crimes contra o Estado não ficarão impunes.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Agência Câmara

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