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Líder do governo confirma sugestão de Lewandowski ao Banco Master

Jaques Wagner diz que foi consultado sobre nome técnico e relembrou ex-ministro após saída do Supremo.

Em meio a um cenário político cada vez mais atento às relações entre poder público e iniciativa privada, uma confirmação vinda do Senado reacende debates sobre bastidores, influência e escolhas que extrapolam os holofotes. Nesta quarta-feira (27), o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), confirmou que sugeriu o nome de Ricardo Lewandowski ao Banco Master, em um momento em que o ex-ministro havia deixado o Supremo Tribunal Federal.

Segundo o gabinete do senador, Jaques Wagner foi procurado para indicar “um bom jurista” e, diante da consulta, lembrou de Lewandowski, que havia se desligado recentemente da Corte. A sugestão, conforme a nota, teria sido acolhida pela instituição financeira.

Sugestão e contratação pelo Banco Master

“Seguramente, o Banco [Master] achou a sugestão adequada e o contratou”, informou o gabinete do líder do governo. A confirmação vem após o próprio Lewandowski declarar, na última segunda-feira (26), que prestou serviços de consultoria jurídica ao Banco Master.

De acordo com o ex-ministro, a atuação ocorreu no período em que retomou a advocacia, após deixar o STF, em abril de 2023. A consultoria, segundo ele, foi encerrada antes de seu retorno ao governo federal.

Retorno ao governo e afastamento da advocacia

Em janeiro de 2024, Lewandowski foi convidado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Com isso, deixou seu escritório de advocacia e suspendeu o registro profissional junto à Ordem dos Advogados do Brasil.

Apesar do afastamento formal, os nomes de familiares do ministro seguem ligados ao escritório Lewandowski Advocacia. A banca teve como cliente o grupo comandado por Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, o que mantém o tema sob atenção pública.

Atuação do escritório e vínculos familiares

Apuração da CNN Brasil indica que o escritório continuou funcionando sob a condução da esposa e do filho de Lewandowski, Yara e Enrique, respectivamente. A relação contratual com o Banco Master teria sido mantida mesmo após a posse do ex-ministro no comando do Ministério da Justiça.

O caso amplia questionamentos sobre limites éticos, transparência e a necessidade de separar, de forma clara, trajetórias públicas e interesses privados, especialmente quando envolvem nomes de peso do cenário institucional brasileiro.

Mantega fora da indicação

Jaques Wagner também fez questão de esclarecer outro ponto sensível. Ele negou qualquer participação ou indicação na contratação do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega pelo Banco Master, afastando tentativas de vincular seu nome a outras escolhas feitas pela instituição financeira.

No centro do debate, permanece a reflexão: até onde vão as sugestões técnicas e onde começam as zonas cinzentas da política? Em tempos de escrutínio intenso, cada detalhe ganha peso e cada confirmação ajuda a desenhar, com mais nitidez, os bastidores do poder.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Agência Senado

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