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Líder do governo diz que Gleisi vai “meter a faca” em cargos do Centrão na Caixa

Guimarães afirma que ordem partiu de Lula e marca o início de uma nova fase política, com cortes e reestruturação de indicações na estatal.

O clima em Brasília promete esquentar. Em uma declaração que reverberou fortemente nos bastidores políticos, o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), afirmou que a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), vai “meter a faca” nos cargos do Centrão na Caixa Econômica Federal: um recado direto de que o Palácio do Planalto decidiu endurecer o jogo na relação com os partidos aliados.

A declaração foi dada durante o podcast As Cunhãs, na última sexta-feira (10), e veio acompanhada de uma revelação: a ordem para “mexer no vespeiro” partiu do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Mexa no vespeiro da Caixa”, teria dito Lula

“Eu acho que vai ter um rebuliço do tamanho do mundo na próxima semana. Qual é o rebuliço? A Gleisi vai meter a faca. Eu estava na reunião com ela e o Lula. O Lula disse: ‘Gleisi, você agilize, viu, e mexa no vespeiro aí da Caixa Econômica para começar’. E, evidentemente, eles estão apavorados”, contou Guimarães durante a entrevista.

A fala escancarou o que já vinha sendo articulado nos bastidores: uma ofensiva do governo para retomar o controle político da Caixa, atualmente loteada por indicações do Centrão, bloco formado por partidos como PP, PL, Republicanos e União Brasil.

Primeiras exonerações e início da “faxina”

Ainda na sexta-feira, duas demissões confirmaram que o movimento já começou. Foram destituídos Paulo Rodrigo de Lemos Lopes, vice-presidente de Sustentabilidade e Cidadania Digital, indicado pelo PL, e José Trabulo Junior, consultor da presidência ligado ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do PP e ex-ministro de Jair Bolsonaro.

As saídas ocorreram dois dias após o governo sofrer uma derrota na Câmara com a Medida Provisória que buscava aumentar a arrecadação em substituição ao IOF. A articulação contrária partiu justamente de setores do Centrão, especialmente da federação União Brasil-PP, que tem se afastado gradualmente da base lulista.

Gleisi assume protagonismo na reestruturação

Segundo Guimarães, a ministra de Relações Institucionais demonstrou firmeza ao assumir a missão. “A ministra Gleisi me disse com todas as letras: ‘Eu não vou discutir, eu vou fazer’”, relatou.

O deputado revelou ainda que recebeu ligações de políticos tentando impedir mudanças em outros órgãos, como o DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas), mas manteve o tom duro: “Eu disse: ‘Se entenda com a Gleisi’.”

O líder governista também mencionou que vice-presidências da Caixa seguem ocupadas por indicações de PL, Republicanos, PDT e Podemos, além de lembrar que o atual presidente do banco, Carlos Vieira, foi nomeado com apoio do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL): uma ligação que reforça o quanto a Caixa se tornou peça central nas disputas de poder entre Planalto e Centrão.

Uma “nova fase” no governo Lula

Para Guimarães, o governo entra agora em uma nova fase política, com menos concessões e foco em manter a coesão da base até 2026. “O governo, na minha opinião, não tem que inventar muita coisa para ir ao Congresso; é votar o orçamento, uns três projetos importantes, e ligar o modo eleição”, afirmou.

Reação e tensão no Congresso

A fala do líder do governo ecoou entre parlamentares e acendeu o alerta no Centrão, que vê nas exonerações um sinal de endurecimento e possível retaliação às derrotas recentes sofridas pelo Planalto no Legislativo.

Nos bastidores, aliados de Lula afirmam que a mensagem é clara: quem quer manter espaço, precisa entregar votos. A “faca” de Gleisi, portanto, simboliza mais do que uma simples mudança de cargos: é o início de uma disputa aberta pelo controle político de uma das instituições mais poderosas do país.

E, no jogo de forças de Brasília, onde poder e lealdade caminham lado a lado, a movimentação pode definir os rumos da governabilidade até as eleições de 2026.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados

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