Presidente quer alguém leal e técnico para suceder Barroso, em tentativa de evitar decepções políticas e pessoais no Supremo.
A escolha do novo ministro do Supremo Tribunal Federal promete ser uma das mais delicadas decisões do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Mais do que preencher uma cadeira na mais alta Corte do país, o presidente busca um nome capaz de unir técnica, lealdade e sensibilidade política e, acima de tudo, alguém que não o faça reviver a frustração que ainda carrega em relação a Dias Toffoli.
Mágoa e lições do passado
Nos bastidores do Planalto, a ferida causada pelo episódio em que Toffoli impediu Lula, então preso durante a Operação Lava-Jato, de comparecer ao velório do irmão, ainda é lembrada como um divisor de águas. A decisão, tomada antes de o Supremo reconhecer a parcialidade do ex-juiz Sergio Moro, é apontada como uma das maiores mágoas do petista em relação ao Tribunal.
Desde então, Lula parece “vacinado” quanto às consequências de suas escolhas para o STF. Pessoas próximas afirmam que ele quer evitar “novos Toffolis”: expressão que resume bem a busca por lealdade e previsibilidade nas decisões da Corte.
Os favoritos e o perfil desejado
Entre os nomes mais cotados está o advogado-geral da União, Jorge Messias. Conhecido como “Bessias” nos bastidores do PT, ele trabalhou no governo Dilma Rousseff e mantém relação próxima com Lula. Sua postura técnica e discreta, somada à juventude; Messias tem 45 anos, pesa a favor. Se nomeado ainda em 2025, ele poderia permanecer no STF por cerca de três décadas.
O presidente também considera a representatividade política do nome escolhido. Messias, que é membro da Igreja Batista, é visto por aliados como uma ponte possível com o eleitorado evangélico, tradicionalmente mais próximo da direita e de Jair Bolsonaro.
Ainda assim, Lula tem repetido que gênero e cor da pele não serão critérios decisivos nesta escolha, mesmo diante dos apelos da militância e da primeira-dama, Janja. “Não quero um amigo. Quero alguém que cumpra a Constituição”, disse ele nesta segunda-feira (14), ao comentar a sucessão.
Entre lealdade e legado
No Palácio do Planalto, a referência de Lula segue sendo Ricardo Lewandowski, hoje ministro da Justiça e Segurança Pública. Primeiro indicado do petista ao STF, em 2006, Lewandowski é considerado por Lula o exemplo ideal de equilíbrio entre técnica, lealdade e sobriedade institucional: o único, segundo ele próprio, de quem “nunca se decepcionou”.
O novo indicado ocupará a vaga do ministro Luís Roberto Barroso, que antecipou sua aposentadoria por motivos pessoais. Sua saída encerra um ciclo e abre espaço para um novo capítulo de influência política no Supremo, que pode durar décadas.
Mais do que escolher um nome, Lula parece buscar um espelho: alguém que compreenda o peso da toga, mas também o significado histórico de representar a confiança de um presidente que já viveu a dor da prisão e a redenção do poder. Afinal, cada nome que sobe ao Supremo carrega não apenas uma biografia, mas o reflexo das escolhas e cicatrizes de quem o indica.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Agência Brasil – EBC
Reportagem: CNN Brasil













