Presidente atribui aumento a interesses internos, cita impacto da guerra no preço do petróleo e anuncia medidas para conter abusos no setor de fretes.
Em meio ao peso que já se sente no bolso dos brasileiros, o aumento dos combustíveis voltou ao centro do debate político e, desta vez, com um tom mais direto e indignado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta – feira (18), que a alta nos preços não pode ser explicada apenas por fatores externos e apontou, sem rodeios, que há quem esteja se aproveitando do momento.
Durante um evento em Brasília, Lula classificou a situação como injustificável e fez um desabafo que ecoa na rotina de milhões de brasileiros. Segundo ele, não faz sentido que um conflito internacional, a milhares de quilômetros de distância, tenha impacto tão direto no dia a dia da população.
“Tá cheio de gente no nosso meio que gosta de tirar proveito da desgraça”, disse o presidente, ao comentar o aumento da gasolina, do diesel e até do etanol.
Críticas ao mercado e questionamentos sobre preços
Na fala, Lula questionou o comportamento dos preços no país, especialmente em relação ao etanol, que não depende diretamente do petróleo. Para ele, há distorções no mercado que precisam ser enfrentadas.
O presidente destacou que o governo adotou medidas para conter a alta, como a isenção de tributos federais e subsídios, mas sinalizou que essas ações não têm sido suficientes diante de práticas consideradas abusivas.
A crítica também se estendeu ao cenário internacional. Lula citou o impacto da escalada de tensões envolvendo os Estados Unidos e o Irã, mencionando que o preço do barril de petróleo saltou de cerca de 65 para 120 dólares, pressionando o mercado global.
Guerra, geopolítica e reflexos no Brasil
Ao ampliar o discurso, o presidente fez um paralelo direto entre os conflitos internacionais e os efeitos na economia brasileira. Ele mencionou ataques realizados pelo presidente americano Donald Trump contra o Irã como um dos fatores que influenciaram o aumento global do petróleo.
Ainda assim, reforçou que o Brasil não deveria absorver integralmente esse impacto. “Estamos longe de Israel, por que temos que pagar esse preço?”, questionou.
Lula também criticou o papel das grandes potências globais, citando os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU: Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido, como responsáveis por decisões que influenciam conflitos e, consequentemente, a economia mundial.
Pressão dos caminhoneiros e novas medidas do governo
As declarações ocorrem em um momento delicado, marcado pela insatisfação de caminhoneiros e a possibilidade de paralisações. Em resposta, o governo sinaliza novas medidas para tentar equilibrar o setor.
O ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou que empresas que descumprirem regras poderão ter o registro de frete suspenso. A ideia é ampliar a fiscalização por meio de um sistema eletrônico integrado com dados fiscais, em parceria com o Conselho Nacional de Política Fazendária.
A medida busca dar mais transparência ao setor e evitar distorções que possam impactar diretamente o custo do transporte e, por consequência, o preço final dos produtos.
No meio de números, discursos e disputas de narrativas, o que permanece é a realidade de quem abastece o carro, depende do transporte ou vê o custo de vida subir silenciosamente. E talvez seja justamente aí que a fala do presidente encontra eco na sensação de que, enquanto crises acontecem no mundo, é o cidadão comum que, mais uma vez, acaba pagando a conta.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: divulgação/CNN Brasil













