Presidente do Senado tenta segurar Celso Sabino no Turismo em meio ao desembarque da federação União Progressista do governo.
Em meio às turbulências políticas que marcam o desembarque formal da federação União Progressista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem buscado uma saída estratégica: manter Davi Alcolumbre (União-AP) como aliado-chave e fiador de pontes entre o governo e setores da centro-direita.
Alcolumbre ganha poder sobre indicações
Durante almoço no Palácio da Alvorada, na última quarta-feira (4), Lula deu carta branca ao presidente do Senado para decidir os rumos das indicações do União Brasil na Esplanada. Frederico Siqueira (Comunicações), Waldez Góes (Desenvolvimento Regional) e Celso Sabino (Turismo) foram todos colocados na conta de Alcolumbre, ainda que Sabino tenha chegado ao posto com apoio da bancada da Câmara e apadrinhamento de Arthur Lira (PP-AL).
Sabino tenta se manter no governo
A reunião trouxe um fôlego a mais para Celso Sabino, que luta para seguir no comando do Turismo. A estratégia em discussão seria pedir licença do partido, mas internamente a manobra é vista como improvável. A federação já fixou prazo de um mês para que ministros filiados deixem seus cargos.
Enquanto isso, a saída do ministro do Esporte, André Fufuca (PP-MA), é dada como certa. O movimento também tem como pano de fundo a tentativa de Fufuca de se viabilizar candidato ao Senado, em uma costura política que inclui até o palanque de Lula.
Impacto no Congresso
Nos bastidores, deputados e senadores avaliam que o desembarque oficial do União Brasil do governo não deve gerar grandes mudanças na aprovação de projetos no Congresso. A leitura é que, na prática, Lula continuará contando com apoios pontuais da legenda em votações importantes, especialmente quando houver articulação direta de Alcolumbre.
Reflexo político
A cena mostra como Lula joga com pragmatismo para manter o equilíbrio no tabuleiro. Em meio a pressões e rupturas, o presidente tenta preservar figuras estratégicas para não perder governabilidade. Mais do que um gesto a Alcolumbre, a carta branca revela um governo que, mesmo cercado de desafios, segue apostando em acordos de bastidor para sobreviver.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação













