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Lula define Miriam Belchior para a Casa Civil e prepara reforma com foco em 2026

Rui Costa confirma sucessão a partir de abril e Planalto acelera trocas para transformar ministérios em base eleitoral.

Em meio a um governo que já olha para o próximo ciclo político, o Palácio do Planalto começa a ajustar suas peças com cuidado cirúrgico. A confirmação de uma troca na Casa Civil, um dos cargos mais estratégicos da Esplanada, sinaliza não apenas continuidade administrativa, mas também o início oficial de uma engrenagem eleitoral que deve ganhar força nos próximos meses.

O ministro da Casa Civil, Rui Costa, confirmou nesta quinta-feira (29) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicará a atual secretária-executiva da pasta, Miriam Belchior, para assumir o comando do ministério a partir de abril. Rui deixará o cargo para disputar uma vaga no Senado nas eleições de 2026.

Segundo ele, a decisão já foi comunicada pelo próprio presidente. “O presidente já comunicou a sua escolha tanto a mim quanto à Miriam. Ela foi ministra do Planejamento, trabalha muito, é uma técnica competente e assume o ministério no início de abril. A prioridade do presidente é que as indicações sejam de quem já está na equipe, para não haver descontinuidade nas ações de governo”, afirmou.

Perfil técnico e histórico no PT

Miriam Belchior é um nome conhecido nos bastidores do poder. Filiada ao PT desde os anos 1980, ela construiu uma longa trajetória em governos petistas. Foi ministra do Planejamento, já comandou a Casa Civil, presidiu a Caixa Econômica Federal e teve papel central na coordenação do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC.

Ex-esposa do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel, assassinado em 2002, Miriam carrega também uma história pessoal profundamente ligada à trajetória do partido. Sua escolha reforça a aposta de Lula em quadros técnicos, experientes e de absoluta confiança política para funções-chave do governo.

Reforma ministerial com objetivo eleitoral

A troca na Casa Civil é apenas uma peça de um movimento maior. Com a aproximação do prazo legal de desincompatibilização, o governo Lula se prepara para uma reforma ministerial em série. A estratégia do Planalto é clara: usar a Esplanada como alavanca para ampliar a base aliada no Congresso Nacional.

Até abril, ao menos 20 dos 38 ministros avaliam deixar os cargos para disputar as eleições de 2026, como exige a legislação. A ideia é transformar nomes conhecidos e com visibilidade nacional em candidatos competitivos, capazes de enfrentar o avanço da direita nas urnas.

Ministros na fila das urnas

Entre os nomes que devem deixar o governo estão figuras centrais da atual gestão. Fernando Haddad, na Fazenda, é cotado para o Senado ou para o governo de São Paulo. Gleisi Hoffmann deve disputar o Senado pelo Paraná. Rui Costa avalia concorrer ao Senado ou ao governo da Bahia.

Outros ministros também se movimentam, como Simone Tebet, Silvio Costa Filho, Renan Filho, Marina Silva, Carlos Fávaro e Camilo Santana, além de Geraldo Alckmin, que deve buscar a reeleição como vice-presidente.

Preocupação com o avanço da direita

Nos bastidores, governistas admitem apreensão com o cenário de 2026. A avaliação é que a direita chega mais organizada e com forte presença nas redes sociais, enquanto a esquerda ainda enfrenta dificuldades de comunicação e mobilização digital.

Por isso, a decisão de antecipar movimentos e lançar mão dos quadros mais conhecidos do governo é vista como uma tentativa de equilibrar o jogo. Mais do que uma simples reforma administrativa, a mudança na Casa Civil e as trocas que virão desenham um governo que começa a se despedir da gestão cotidiana para entrar, de vez, no clima eleitoral.

No centro dessa engrenagem, Miriam Belchior assume não apenas um ministério, mas a missão de garantir estabilidade, continuidade e articulação em um dos períodos mais sensíveis do governo Lula.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Agência Brasil

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