Presidente brasileiro prioriza agenda no Rio com Úrsula von der Leyen e António Costa e não vai a Assunção para a cerimônia formal.
Em um momento considerado histórico para a diplomacia sul-americana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva optou por um gesto político calculado: preferiu garantir uma foto a sós com os principais líderes da União Europeia, no Brasil, em vez de comparecer pessoalmente à cerimônia de assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a UE, marcada para este sábado (17), em Assunção, no Paraguai.
Lula será o único chefe de Estado do Mercosul ausente do ato formal. Segundo informou a presidência paraguaia à CNN Brasil, estarão presentes o anfitrião Santiago Peña, o presidente da Argentina, Javier Milei, o uruguaio Yamandú Orsi e o boliviano Rodrigo Paz. O presidente do Panamá, José Raúl Mulino, também confirmou presença como representante de um Estado associado ao bloco.
Mudança de planos na reta final
Auxiliares do Palácio do Planalto relataram que, inicialmente, a previsão era de que a assinatura ocorresse apenas em nível ministerial, com a presença dos chanceleres dos países envolvidos. Esse formato teria sido alterado cerca de duas semanas atrás, quando o presidente paraguaio decidiu convidar os chefes de Estado para protagonizar a cerimônia.
A mudança de última hora pegou parte das delegações de surpresa e exigiu rearranjos diplomáticos, especialmente do lado brasileiro, que já tinha compromissos previamente agendados.
Pedido europeu e decisão estratégica
De acordo com fontes próximas a Lula, a presidente da Comissão Europeia, Úrsula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, solicitaram um encontro reservado com o presidente brasileiro antes de seguirem para o Paraguai. O encontro acontecerá no Rio de Janeiro, na véspera da assinatura.
No entendimento do entorno do petista, a reunião e o registro fotográfico com as duas principais autoridades da União Europeia seriam suficientes para simbolizar o papel central desempenhado por Lula na articulação política que viabilizou o acordo após décadas de negociações.
O peso do símbolo além da cerimônia
Para aliados do presidente, a ausência física em Assunção não diminui o protagonismo brasileiro no processo. A avaliação é de que Lula já cumpriu sua missão política ao destravar resistências, construir consensos e pavimentar o caminho até a assinatura final, mesmo que não esteja presente no momento protocolar.
Ainda assim, a decisão chama atenção pelo simbolismo. Em acordos internacionais, gestos, imagens e presenças falam tanto quanto discursos e assinaturas.
No fim, a escolha de Lula revela uma leitura clara da diplomacia contemporânea: mais do que o palco da cerimônia, importa quem está ao seu lado na foto e a mensagem política que essa imagem é capaz de transmitir ao mundo.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert/PR













