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Lula mira 2026 e projeta ser o primeiro presidente eleito quatro vezes no Brasil

Em evento da Petrobras, petista reage às tensões com o Congresso, defende justiça tributária e reforça legado em tom de campanha

Durante a retomada das obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou o evento promovido pela Petrobras para muito mais do que falar sobre investimentos no setor de energia. Em meio a um clima de atrito com o Congresso Nacional, Lula defendeu o que chamou de justiça tributária, reafirmou o compromisso com a governabilidade e, de quebra, lançou uma sinalização política sobre o futuro: quer disputar e vencer, a Presidência da República pela quarta vez em 2026.

“Se preparem, porque se acontecer tudo que eu estou pensando, este país vai ter pela primeira vez um presidente eleito quatro vezes”, declarou, em tom desafiador. Sem citar adversários diretamente, Lula rebateu especulações sobre a fragilidade de seu governo. “Tem gente pensando que o governo acabou. Mas estamos só começando.”

A fala vem na esteira do desgaste causado pela derrubada, pelo Congresso, do decreto que aumentava o IOF. A medida, defendida pela equipe econômica como forma de manter investimentos sociais, acabou judicializada. O governo agora aguarda um posicionamento do Supremo Tribunal Federal (STF), onde o caso está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Apesar da tensão, Lula evitou o confronto direto com o Parlamento. Pelo contrário, fez questão de adotar um tom conciliador: “Sou muito agradecido pela relação que tenho com o Congresso. Quando tem uma divergência, é bom, porque a gente vai, senta e negocia”, afirmou.

Tributação dos super-ricos e discurso social

O evento em Pernambuco também serviu de palco para reforçar a principal bandeira econômica e ideológica do governo neste momento: a taxação dos mais ricos. Lula voltou a criticar o que chamou de resistência de setores privilegiados às propostas de justiça tributária. “O que é duro é que as pessoas não querem ceder. Quem tem privilégio não quer abrir mão dos privilégios”, disse, ao defender a taxação de grandes fortunas, fintechs, bancos e empresas de apostas.

A narrativa de justiça social tem sido usada como ferramenta para retomar o apoio popular e fortalecer a base aliada. Campanhas nas redes sociais, com vídeos produzidos por inteligência artificial e hashtags como #TaxaBBB (bilionários, bancos e bets), vêm sendo impulsionadas pelo Planalto e por nomes como Guilherme Boulos (PSOL-SP) e Gleisi Hoffmann (PT).

O governo também tem divulgado com destaque a promessa de isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil; proposta em tramitação no Congresso, como forma de mostrar que a conta não cairá no colo dos mais pobres. “A gente quer governar para os 100%, e não só para os 35% mais ricos”, disse o presidente.

Crise com o Congresso e alerta sobre polarização

Mesmo buscando o diálogo, Lula enfrenta resistência de parlamentares do centrão, que veem na crise tributária uma oportunidade para fragilizá-lo antes da próxima disputa presidencial. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem se posicionado contra o que classifica como uma retórica de “nós contra eles”. “Essa estratégia pode acabar levando a um governo contra todos”, declarou, em tom de alerta.

Na base social do petismo, porém, o discurso encontra eco. Em São Paulo, movimentos como o MTST e o Povo Sem Medo realizaram protesto na Avenida Faria Lima, símbolo do mercado financeiro, com faixas pedindo o fim das “mamatas para os super-ricos”.

Olhar para 2026 com os pés em 2024

Embora falte mais de um ano para a eleição municipal e dois para a presidencial, Lula já demonstra preocupação com os próximos embates eleitorais. Com a popularidade em oscilação, ele aposta na força de seu legado e em resultados econômicos para manter viva sua imagem de líder popular. “Este país teve dois momentos históricos de inclusão social: Getúlio Vargas e o nosso governo”, afirmou, ao citar dados como o crescimento do PIB acima de 3% em dois anos consecutivos e o menor índice de desemprego da série histórica (6,2%).

A mensagem que Lula tenta passar é clara: apesar dos obstáculos, ele segue confiante no rumo do governo e determinado a disputar mais um mandato. Entre negociações políticas e batalhas ideológicas, o presidente busca transformar dificuldades em vitrine  e ainda manter vivo o projeto de voltar às urnas com força em 2026.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação

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