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Lula passa por susto em avião da FAB e militares criticam cortes no orçamento das Forças Armadas

Presidente relatou temor ao embarcar de Belém para a Ilha do Marajó e destacou impacto da falta de investimentos na manutenção da frota.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viveu momentos de tensão na quinta-feira (2) ao embarcar em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) em Belém (PA), com destino à Ilha do Marajó (PA). Em entrevista à TV Liberal, afiliada da Rede Globo no Pará, Lula relatou que houve um problema no motor da aeronave e que o susto só não se agravou porque o incidente ocorreu ainda em terra.

“Eu só tinha que agradecer a Deus porque deveria ter problema quando eu estivesse no ar e teve quando eu estava em terra. Tivemos que descer do avião com medo que ele pegasse fogo”, disse o presidente. A FAB informou que se tratou de um problema técnico com a aeronave Amazonas C105, usada principalmente para transporte de tropas, cargas e deslocamentos presidenciais em pistas curtas, e não de um avião presidencial.

Plano de contingência e agenda na Amazônia

Após o incidente, a comitiva presidencial embarcou em uma aeronave reserva e seguiu para Breves, no sudoeste da Ilha do Marajó. Durante a agenda, Lula participou da entrega de obras relacionadas à COP30, conferência sobre o clima que ocorre entre os dias 10 e 21 de novembro.

Em tom simbólico, o presidente destacou que não pretende transformar a conferência em evento de luxo: “Vou dormir num barco. É preciso mostrar pro mundo o que é a Amazônia e o que é o Pará. Não vai ser a ‘COP do Luxo’, é a COP da verdade”, afirmou.

Cortes orçamentários e desafios da FAB

Militares ouvidos pela reportagem afirmam que falhas como a registrada com o avião de Lula refletem anos de cortes no orçamento das Forças Armadas. Dados da FAB mostram que, nos últimos 10 anos, o orçamento destinado à manutenção e modernização da frota caiu 41%, enquanto o número de aeronaves disponíveis diminuiu de 526 em 2014 para 319 em 2025.

A redução de verbas também impactou as horas de voo, essenciais para a formação prática de pilotos, que caíram pela metade na última década. Segundo o tenente-brigadeiro Ar Walcyr Josué de Castilho Araújo, ouvido pelo Senado em setembro, a falta de investimentos obrigou a FAB a reduzir o número de aeronaves operacionais, prejudicando manutenção, treinamento e infraestrutura, incluindo pistas e hangares.

Para enfrentar essa precarização, militares e o ministro da Defesa, José Múcio, defendem a PEC da Previsibilidade, que prevê a aplicação de 2% do PIB em defesa, parâmetro recomendado pela Otan. A proposta está parada no Senado desde 2023.

Entre susto e reflexão

O episódio serve como alerta sobre a importância de investimentos consistentes na defesa do país. Mais do que um susto aéreo, revela os desafios estruturais enfrentados pela FAB e lembra que segurança, planejamento e previsibilidade são essenciais para proteger vidas e fortalecer instituições, mesmo em momentos de rotina ou viagens presidenciais.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação: CNN

Reportagem: CNN Brasil

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