Governo quer presidente na linha de frente de campanha digital por justiça social e aposta no engajamento da militância para pressionar o Congresso.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi aconselhado por assessores do Planalto a entrar diretamente na batalha digital em defesa de duas pautas centrais para o governo: a reforma na tabela do Imposto de Renda (IR) e o fim da escala 6×1 na jornada de trabalho. A ideia é aproveitar o atual engajamento da militância nas redes sociais para pressionar o Congresso Nacional e tentar reverter a queda de popularidade do governo.
Nos bastidores, ganha força a proposta de que Lula grave vídeos para as redes sociais ou até mesmo faça um pronunciamento em cadeia nacional para explicar os projetos à população e angariar apoio público.
A primeira proposta, já em discussão em comissão especial na Câmara, prevê isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil mensais e taxação para quem recebe acima de R$ 50 mil. O relator, deputado Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, deve apresentar seu parecer final ainda nesta semana, alinhado com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
A segunda pauta, o fim da escala 6×1, que garante apenas um dia de folga semanal ao trabalhador, está sendo articulada pela ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, com líderes partidários. A expectativa do governo é que o texto avance e seja aprovado ainda este ano.
A avaliação no Planalto é que a esquerda vem ganhando espaço no debate público nas redes, especialmente com a defesa da justiça tributária e o ataque à elite econômica, como no caso da campanha pela “taxação dos super-ricos”. A movimentação digital cresceu nas últimas semanas, rompendo a bolha progressista e alcançando perfis de centro: um fenômeno que o governo pretende ampliar com conteúdo estratégico.
Para isso, especialistas em inteligência artificial já estariam sendo mobilizados na produção de conteúdo em formatos mais atraentes para as plataformas digitais. O objetivo é aumentar o alcance das propostas e reforçar a narrativa de que o governo está atuando para combater privilégios e defender os direitos da maioria.
A decisão sobre a entrada de Lula nessa campanha deve ocorrer nos próximos dias, após novas conversas com os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP).
No Palácio do Planalto, o clima é de oportunidade: “É o momento de virar o jogo na comunicação com o povo”, resume um assessor.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação













