Presidente intensifica pré-campanha, planeja rodar o país com ministros e aposta em comparação direta com governadores da oposição.
Em ritmo acelerado de pré-campanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já traça a estratégia que deve marcar suas viagens pelo país nos próximos meses. A ideia é transformar inaugurações e anúncios de investimentos em uma verdadeira “batalha de obras”, colocando frente a frente as entregas do governo federal e as administrações estaduais comandadas por governadores de direita; muitos deles cotados como presidenciáveis em 2026.
Segundo aliados, Lula pretende visitar ao menos um estado por semana, sempre acompanhado de ministros de Estado. O objetivo é duplo: reforçar a presença do governo federal nos municípios e impulsionar politicamente ministros que devem deixar os cargos até abril para disputar eleições estaduais e ao Congresso. A aposta é que as agendas sirvam como vitrine das ações federais e ampliem o capital político dos aliados nos palanques regionais.
A avaliação no Planalto é de que, em muitos estados, o governo federal terá mais entregas concretas a apresentar do que os próprios governos locais. A comparação direta, nos bastidores, é vista como uma forma de provocar adversários e expor fragilidades administrativas de gestores que fazem oposição ao Palácio do Planalto.
Conquistas e medos no centro da narrativa
A campanha de Lula deve se sustentar em dois pilares centrais. O primeiro será a exaltação das conquistas do terceiro mandato, como a retirada do Brasil do mapa da fome, a retomada de programas sociais emblemáticos; a exemplo do Minha Casa, Minha Vida e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
O segundo eixo mira o campo simbólico e emocional do eleitor. A estratégia prevê explorar o receio de um eventual retorno da direita ao poder, associando esse cenário a riscos à democracia e, mais recentemente, à soberania nacional. A comunicação deve contrastar a postura internacional de Lula, descrita como firme e altiva, com a da família Bolsonaro, retratada como submissa ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A leitura entre aliados é clara: mais do que disputar votos, Lula quer disputar narrativas, mostrando obras, marcando presença e reforçando a imagem de um governo que se apresenta como defensor da democracia, da autonomia do país e de políticas sociais que dialogam diretamente com a vida da população.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Correio Braziliense













