Presidente brasileiro defende que a América Latina permaneça como uma região de paz e critica avanço de navios de guerra norte-americanos no Caribe.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (4) que pretende levar dois temas centrais à Cúpula da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos), marcada para os dias 9 e 10 de novembro: a crise política na Venezuela e a crescente presença militar dos Estados Unidos na região.
Durante conversa com jornalistas em Belém, onde cumpre agenda antes da COP30, Lula foi direto: “A reunião da Celac só faz sentido agora se for para discutir a questão dos navios de guerra dos EUA”.
A escalada norte-americana no Caribe
Nos últimos meses, os Estados Unidos têm ampliado significativamente sua presença militar no Caribe, segundo fontes diplomáticas da região. O governo do presidente Donald Trump anunciou novas operações navais com o argumento de combater o narcotráfico: ações que, na prática, aumentaram a tensão com Caracas e reforçaram a vigilância em torno da Venezuela.
Lula demonstrou preocupação com a movimentação norte-americana, classificando-a como uma ameaça à estabilidade regional. “A América Latina é uma região de paz, não de guerra”, afirmou, ressaltando que já expressou essa posição diretamente a Trump em encontro recente.
Venezuela no centro do debate
O presidente brasileiro defendeu que a crise venezuelana precisa ser resolvida por vias políticas e diplomáticas, sem interferência militar estrangeira. Segundo ele, o papel da Celac deve ser o de promover o diálogo entre as partes, preservando a soberania e a democracia no país vizinho.
A fala de Lula vem em um momento em que o governo de Nicolás Maduro enfrenta forte pressão internacional e novos embargos econômicos, além de tensões internas após as eleições legislativas contestadas por parte da oposição.
Uma Cúpula marcada por tensões
A expectativa é que o encontro da Celac reúna chefes de Estado e chanceleres de toda a América Latina e do Caribe. A agenda deve incluir também discussões sobre segurança regional, integração energética e os efeitos geopolíticos da guerra entre Rússia e Ucrânia no continente.
Lula tenta reposicionar o Brasil como liderança diplomática capaz de mediar crises regionais e de reafirmar a independência latino-americana diante das potências globais.
Em tom reflexivo, o presidente concluiu: “O que precisamos é de cooperação, não de intimidação. Se o mundo aprendeu algo com as guerras recentes, é que o diálogo é sempre o caminho mais forte”.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Reprodução/Canal Gov – Youtube













